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HOJE É OUTRA NOITE DE AG

Nos últimos anos, em especial, os mais recentes, não faltei a uma Assembleia Geral do Clube do meu coração.

Andei no recinto Multiuso, passei pelo Pavilhão João Rocha e até fui ao Altice Arena.

Hoje há outra noite de AG. Refleti bastante sobre as vantagens e desvantagens de deslocar-me a este evento e votar, tendo decidido por não ir. E porquê?

  1. Poderia ser pelo dia de semana, hora nocturna, mas não, já aconteceu outras vezes. Isso nunca seria um impedimento para mim que moro perto de Lisboa.

  2. Já pela razão da realização da mesma, isso sim, cujo conteúdo não analisei e por isso não tenho opinião formada.

  3. Pela ordem expressa de início às 20:30 horas com a abertura da votação, agora em voga, também é algo que nunca concordei e faz com que não queira ir.

  4. Pela inócua Assembleia Geral (AG) que tem como ponto único a votação do Relatório e Contas do exercício 2018/19 pois, na realidade, nada irá mudar e as contas serão aprovadas por maioria. Nada se altera.

  5. Outra das razões porque tomei a decisão é pelo momento continuo de agitação e agressividade patente, com risco para o comum Sócio. Algo que não é aceitável.

  6. Pela comunicação ou, leia-se, comunicado, de última hora feito na véspera da AG sobre as alterações aos contratos de financiamento entre o Grupo Sporting e os bancos Millennium bcp e Novo Banco.

  7. Por recear que a AG não se realize por razões de segurança ou por estar detalhada no anterior ponto.

Naturalmente que defendo a urbanidade e o respeito por todos. O direito à opinião diferenciada. E uma AG pacífica.

Mas, sem colocar tudo isto em questão, não compreendo e tenho dificuldade em aceitar uma votação antes do debate e sem o conhecimento prévio das contas.

Para mais, já começa a ser uma constante, e com isso deste modo não quero estar presente, pactuar ou validar.

E não há intervenção oratória que mude, reclamação ou qualquer pedido à mesa na pessoa do PMAG.

Não vou. É também um direito meu. Sem que, com isto, esteja a criticar que vá.

Eu, simplesmente, não quero lá estar!

Só eu sei por fico em casa…

Que tudo corra bem!

Saudações Leoninas

ORDEM PARA VENDER

Está é uma das frases-chavão que temos visto desde que o mercado de transferências abriu.

“Ordem para vender”

Mas, infelizmente, há outras frases que fazem um ramalhete mais completo e eficaz a juntar a esta frase, cito outras:

“Para baixar as despesas”

“Poupança servirá para reforçar”

“Venda servirá para reforçar”

O que assistimos diariamente é a uma orquestrada comunicação global que desvaloriza os activos do Sporting e está sempre a valorizar os do rival.

A reboque, propositadamente ou não, também vemos uma debandada de cedências de jogadores, uns por empréstimo e outros em definitivo, quase a custo zero numa gestão, no mínimo, questionável.

O Sporting, ainda com a janela de transferências aberta, precisa de reforças-se para atacar o título, precisa de mudar o estilo de contratações – entradas directas para a titularidade – para lutar pela entrada na Liga dos Campeões por causa do dinheiro que ganhará.

Confesso-me preocupado! Não entendo como qualquer Adepto não o esteja neste momento. É que externamente já somos uma ilha com mar alto e prestes a desaparecer se continuarmos a fingir que está tudo bem.

Internamente, ao que parece, não será melhor! Uma comunicação ausente e que é débil quando aparece não tranquiliza qualquer Adepto atento!

Nada está perdido para esta época – excepto a Supertaça – mas é preciso agir, ser célere e assertivo nas decisões. Impor respeito. Cortar de raiz com as novelas diárias sobre o Sporting em vez de tanto silêncio.

E não esperar que os desaires do Porto possa ocupar todas as atenções aliviando as nossas costas.

O Sporting está quase a deixar de ser, na prática, um dos três grandes, não porque tenha substituto, mas porque só há espaço para dois grandes! Porque não é campeão na última década (não que alongar mais) e os grandes são campeões com maior regularidade!

Não temos a comunicação social do nosso lado, não temos influência na FPF ou em qualquer outro Órgão ligado ao desporto em Portugal, etc.

E como isso não bastasse, somos um Clube gravemente fracionado sem mudanças internas à vista ou a médio prazo.

Ordem para vender chegará, mais tarde ou mais cedo, a outras partes e bens do Clube.

E depois, como é usual, culpemos tudo e todos por isso.

Esquecemos que cada um de nós – Sócios e Adeptos – teve a sua contribuição no tempo, por más opções, por más decisões ou até por ignorar toda a realidade. Mas não foi por falta de alertas, de gritos de revolta ou de todas as mensagens espalhadas pelas vias possíveis.

E quando chegar a ordem para vender de nada adiantará ter razão!

Saudações Leoninas

CRÓNICA DE UMA OBRIGAÇÃO

Hoje será o último dia para subscrever as obrigações Sporting SAD 2018-2021. Nunca se falou tanto de um Empréstimo Obrigacionista, parecendo até que é coisa rara e que só o Sporting é que recorre a este instrumento de financiamento “pois está à rasca”, “sem dinheiro” e vai daí tem que fazer estas “coisas esquisitas”.

Nada de mais falacioso. De facto, o Sporting é o Clube que menos recorre a este instrumento de financiamento, como se pode ver pela imagem que retirei deste post d’O Artista do Dia. Embora seja de abril de 2018, dá uma ideia da diferença entre os 3 grandes. Em junho e julho deste ano, quer o rival de Lisboa, quer do rival do Porto, fizeram novas emissões não tendo baixado a exposição a este instrumento.

Evolução dos empréstimos obrigacionistas

E o que é afinal um Empréstimo Obrigacionista, para que serve e porquê recorrer-se a esta fonte de financiamento?

Basicamente uma Entidade, que pode ser uma empresa ou por exemplo o Estado, emite dívida, e alguém individualmente, ou uma instituição financeira ou não financeira – pode ser um fundo de pensões, ou uma empresa que tenha excesso de dinheiro em caixa e queira aplicar esse dinheiro – compra essa dívida. Em troca dessa compra a entidade emissora pagará um juro periodicamente – anual ou semestralmente – e no fim do prazo devolve o capital.

Tipicamente recorre-se a este instrumento para baixar o custo de financiamento, ou seja, o juro que se paga a quem empresta terá que ser menor do que o que se pagaria a um banco, isto caso o banco estivesse disposto a emprestar esse dinheiro. Por outro lado, o investidor compra esta dívida pois é remunerado acima do que um depósito a prazo lhe paga e por isso sente-se atraído para comprar as obrigações.

É pelo juro prometido que a relação da oferta e da procura se dá. Se o juro for considerado atrativo, para o nível de risco, da empresa emitente, por certo haverá muita procura, acima da oferta. Pelo contrário se o juro não for considerado atrativo, dado o risco, a procura situar-se-á abaixo da oferta.

O conceito de risco é muito importante em tudo o que é o mundo financeiro. Portugal tem mais risco que a Alemanha, por isso o estado português paga mais juro que o estado alemão nas suas obrigações do tesouro. Quando o risco é demasiado elevado, então não aparece ninguém para comprar ou aparecem poucos investidores, pois não há juro suficientemente atrativo para tanto risco. No mundo da finança não há cá lugar a sentimentalismos, é o vil metal que conta, e a credibilidade.

Ora, o que tem acontecido nos últimos meses no Sporting? Dias e dias seguidos, mês após mês, de ditos Sportinguistas, a juntarem a sua voz a adeptos e interesses adversários, atacando profundamente a gestão dos últimos 5 anos, arrastando a credibilidade do clube para a lama.

peristecmtv

Numa tentativa desesperada para limpar a imagem que tantos sujaram, temos assistido a diversas entrevistas de Francisco Salgado Zenha e de Miguel Cal, para assegurarem que o “drama e horror” afinal não passam de boatos. Felizmente está a dar resultado e os investidores estão a reagir, tendo ontem sido ultrapassada a barreira mínima e portanto garantida a emissão, mas infeliz e dificilmente, pela primeira vez um empréstimo obrigacionista ficará por subscrever na sua totalidade.

Esta calma e confiança transmitida por Francisco Salgado Zenha não é nada que já não suspeitássemos, pois, todos os números dos exercícios anteriores foram melhorando como podemos ver neste post d’O Artista do Dia, do qual retirei a imagem.

Contas - receitas operacionais

Na ânsia de criticar tudo o que está relacionado com a anterior direção, os tais ditos Sportinguistas que dia após dia, pululam pelos canais de TV, estão na realidade a queimar a credibilidade do Sporting, logo a aumentar o risco percebido pelos investidores, e a “lixar” o Sporting. Mas para esses ditos Sportinguistas, o que interessa é o seu desejo de vingança ser preenchido. Eles querem lá saber do Sporting.

Perante este cenário Frederico Varandas teve que fazer um apelo à moda da “operação coração”, sendo obrigado a deixar a postura institucional, para fazer o apelo emocional aos Sportinguistas para investirem nem que fossem 100 euros. Lá está o “beneficiado de ontem”, com esta fogueira de vaidades e falta de proteção do bom nome do Clube, é o “prejudicado de hoje” e Frederico Varandas vendo a falta de adesão dos investidores às Obrigações, teve que fazer “telefonemas” aos sócios.

Não há quem pare para pensar no que é o bem do Sporting, nem mesmo Frederico Varandas pensou, pois deixou durante tanto tempo os canais de TV queimarem a imagem da anterior direção sem nada dizer, não percebendo que no processo, o Sporting, Clube do qual é o atual presidente, também se lixa. Em último recurso, e já com a corda no pescoço, teve que fazer um apelo, contra o seu estilo, e é por isso que esta é a crónica de uma obrigação.

Nuno Sousa – Sócio 9.575 desde agosto de 1981

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