Autor: proencascp

Lealdade — um valor alto demais?

“Leais ao Sporting” é o lema de campanha de Bruno de Carvalho, um mote coerente com aquilo que foi a sua gestão enquanto Presidente do SCP e com os pilares do seu Manifesto eleitoral.

A Lealdade ao SCP proposta por Bruno de Carvalho passa, entre outros pontos, pela manutenção da participação maioritária do Clube na SAD, pela continuação da aposta nas modalidades e pela defesa do Clube contra os lobbies poderosos que se movimentam à sua volta.

Sobre a “Lealdade” recordo um artigo escrito na revista Time pelo ensaísta e professor americano Roger Rosenblatt, em que aquele refere que, por mais nobre que seja o padrão estabelecido pela lealdade, há demasiado medo, oportunismo e ambição no ser humano para que possamos confiar que a lealdade seja tida em conta no seu comportamento. A visão do professor Rosenblatt sobre as dificuldades do ser humano em ser leal vinham já descritas na própria Bíblia, onde se pode ler: “Os homens serão amantes de si mesmos, . . . desleais, sem afeição natural.” 2 Timóteo 3:1-5.

Bruno de Carvalho foi sempre leal ao SCP, mas esqueceu-se que, como escreveu Rosenblatt, há demasiado medo, oportunismo e ambição no ser humano para que muitos dos que o rodearam conseguissem ser leais ao seu presidente e ao projecto que integraram.

A maior lição que Bruno de Carvalho e que todos nós podemos retirar de tudo o que aconteceu é que, muitas vezes, são aqueles em mais confiamos e que mais estimamos que vão, sem complacência, abusar da nossa própria lealdade e que as pessoas só são leais até ser oportuno deixarem de o ser.

 

FLIP-FLOPPERS BLUES

No dia 18.7.2018, a propósito da tentativa de entrega da candidatura liderada por Bruno de Carvalho, Jaime Marta Soares afirmou à comunicação social:

“A manter-se a suspensão de Dr. Bruno de Carvalho, o presidente da Mesa não pode cair numa ilegalidade grave, que era receber uma lista que não contempla minimamente as exigências dos Estatutos e dos Regulamentos. Por isso, não posso em circunstância alguma receber essa lista.”

Ontem , dia 06 de Agosto de 2018, o mesmo Jaime Marta Soares afirmou à comunicação social a propósito de nova tentativa de entrega da candidatura liderada por Bruno de Carvalho:

“Nunca recusei a apresentação de qualquer lista . Foi com grande surpresa que soube da decisão soberana da Srª Juíza… nunca me chegou da parte da lista do Dr. Bruno de Carvalho o pedido para a apresentação de uma lista. Não corresponde à verdade. Não recusaremos a apresentação de qualquer lista.”

Fê-lo com a mesma desfasatez e com a mesma “cara de pau” com que apresentou publicamente a sua demissão do cargo de Presidente da Mesa da AG do SCP e dias depois disse que, afinal, não se demitiu.

Jaime Marta Soares é um “animal politico”. Sobreviveu a todos os lideres do PSD nos orgãos mais altos do partido, onde se mantém praticamente desde a fundação do partido.

Aqui, nos Estados Unidos da América, de onde escrevo esta linhas, há um nome para os políticos que mudam de opinião consoante consideram ser mais vantajoso para si: São os “flip-floppers”.

Mas como “animal politico” que é , Jaime Marta Soares , comete outra proeza. A proeza descrita superiormente por Bertand Russel, “a proeza de fascinar os tolos e manietar os inteligentes; tendo numa mão a excitação das emoções, na outra o totalitarismo das decisões numa aparência de democracia quase perfeita.”

E foi isso que este “flip-flopper” conseguiu no universo sportinguista. Fascinar os tolos, manietar os inteligentes e criar uma falsa aparência de democracia para reinstalar no poder quem reclama para si a condição de casta superior do sportinguismo.

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