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CRÓNICA DO IR LÁ DAR UMAS LAMPARINAS

Nos dias que antecederam o Natal, saiu a decisão do processo e-toupeira, de não levar a julgamento a SAD do rival de Lisboa.

Afinal, parece ter tudo saído da cabeça de Paulo Gonçalves. Toda a sua ação, segundo a decisão da Juíza foi decisão dele. Só não ficamos a saber se haveria algum tipo de autoria moral, de alguém, que, talvez, tivesse incentivado esse tipo de comportamento. A pergunta parece ter ficado respondida, pelo menos para a Juíza, Paulo Gonçalves agiu sozinho. No fundo um Lee Harvey Oswald dos tempos modernos.

Mas pergunto, será que Paulo Gonçalves não viu, mesmo, algum tipo de “incentivo” na instituição que servia de comportamentos menos éticos e menos cívicos? Pelo que saiu a público pelo ex-candidato – Bruno Costa Carvalho – à presidência do nosso rival de Lisboa, parece que sim, havia certos incentivos que vinham de cima.  Vamos ler o que este escreveu.

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Pelos vistos o CEO da SAD incentivava comportamentos pouco éticos e perguntava ao “funcionário” Paulo Gonçalves, como foi classificado pela Juíza, e perguntava também a João Gabriel, que deve ser outro “funcionário”, se “podem ir lá dar umas lamparinas”. Imagino que “lamparinas” sejam os prémios atribuídos aos seus Sócios e adeptos. Pelo nome deve ser.

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Portanto ficámos a saber, por Bruno Costa Carvalho, que os dados pessoais dos seus sócios “passeiam” pelos e-mails do CEO e de “funcionários”. Também no nosso clube andaram os nossos dados a passear, não por mail – que se saiba – mas por pen. Aliás, as diversas queixas crime que foram feitas já estão a ser investigadas, pois o DCIAP já chamou Sócios do Sporting para prestarem declarações acerca desse tema.

Com estas evidências, trazidas a público por um destacado Sócio do rival, pareceram-me muito suaves as declarações oficiais da Direção do nosso Sporting.

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“A Sporting SAD tomou conhecimento da Decisão Instrutória hoje proferida no processo denominado como e-toupeira.

A decisão anunciada, na medida em que partirá do princípio que os arguidos agora pronunciados atuavam por sua conta e risco, é, pelo menos aparentemente, incompreensível.

A Sporting SAD analisará os fundamentos da decisão, reservando o direito de recorrer do teor da mesma, sempre com o objetivo de repor a verdade desportiva.”

 

Sim de facto foi “incompreensível” a decisão mas também é incompreensível a brandura da reação da nossa Direção, ou talvez não, pois com as práticas do rival, nunca se sabe, se não há algum “funcionário”, que por sua conta e risco faça “alguma coisa” e por isso é que esta é a crónica do ir lá dar umas lamparinas.

Um Abraço de Leão.

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

 

CRÓNICA DO DAR ANTES DE RECEBER

Esta quadra natalícia é muito interessante, não só porque é uma época em que as famílias se reúnem, mas principalmente porque ao contrário do resto do ano, em que principalmente gastámos tempo preocupados com o que recebemos, durante estes dias pensamos e gastamos tempo com o que vamos dar.

Esteve bem, por isso, a Direção do Sporting ao manter a iniciativa do treino aberto aos Sócios no dia a seguir ao Natal no Estádio José Alvalade, mantendo a recolha de brinquedos numa ação de solidariedade que já se está a tornar tradição.

Também esteve bem a comunicação do Sporting ao brindar-nos com o Nani e o Coates em duas entrevistas, dando a possibilidade aos Sócios e adeptos de ficarem a saber a opinião destes jogadores.

Muito interessante o que Nani disse. Acerca da “invasão à Academia” disse que “já ninguém se lembra disso. É para esquecer, é passado”, o que é no mínimo curioso dizer isso quando ainda há poucos dias tivemos a “simulação” feita por crianças idealizada por uns quantos “iluminados” e infelizmente aceite pela Direção, para, pasme-se, transmitir uma mensagem natalícia institucional.

Nani também falou do anti jogo e das simulações de faltas e faltinhas tão useiras no nosso campeonato. De uma forma aberta Nani criticou os colegas futebolistas e fez também uma auto critica, quando comparou com o ambiente que se vive em Inglaterra na Premier League que tão bem conhece. Num país onde o corporativismo é palavra de ordem, Nani mostrou ser mais que uns “pezinhos jeitosos”.

Chamou a atenção o que disse sobre Bruno Fernandes, ao dizer que, houve pressões externas para que Bruno Fernandes rescindisse, quando não era essa a sua vontade. Mas a parte importante, na minha opinião, é quando diz que alguns futebolistas “dão tiros nos pés, pois esquecem-se que, para enriquecer no futebol, é preciso jogar à bola”, parecendo fazer um alerta a comportamentos menos éticos.

Basicamente o que Nani diz é que um futebolista primeiro tem de dar, do seu esforço, do seu talento, para depois poder receber. Nani já percebeu há muito tempo que o dinheiro não é tudo na vida e por isso diz “que não é a primeira vez que deixo dinheiro para trás”, e por duas vezes voltou à casa que o formou e lançou. Nós Sócios e adeptos sabemos disso e por isso retribuímos-lhe com respeito e admiração, por isso é que esta é a crónica do dar antes de receber.

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

PS – O treinador do Braga também gosta de dar, para uns dá sorrisos e é mansinho, mas com outros dá uma cara feia e voz grossa, por isso o que recebe dos Sócios do Sporting não é respeito nem admiração

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CRÓNICA DA CHACOTA

Em mais uma “entrevista” que Frederico Varandas deu a um jornal perdeu mais uma hipótese de praticar o que prega. Falar de #união obriga-o a ter outro tipo de cuidado com o que diz.

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Falar é fácil, agora percorrer o caminho, esse parece ser-lhe difícil. Este tipo de “bocas” são perfeitamente dispensáveis, e soam a estranho.

Não se percebe o intuito, está há 100 dias no cargo, até ver as coisas estão a correr relativamente bem e mesmo assim não consegue “aguentar-se” numa “entrevista” controlada?

Será que a pressão do cargo está a ser pesada demais, para alguém que nunca se sentou a uma secretária e teve de decidir sobre assuntos muito diferentes de receitar um exame auxiliar de diagnóstico, ou prescrever um tratamento ou medicamento? Se sim, o que acontecerá quando as coisas “apertarem”?

A sensação que Frederico Varandas dá é de “peixe fora de água”, parece estar fora do seu habitat natural. A sua postura corporal não engana, por vezes, dá a sensação de tudo isto ser um frete, um tremendo aborrecimento.

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Mas depois para parecer que domina a situação tenta dar uma de erudito em ditados populares. Já se tinha dado mal com o “cabeça, pernas e membros… troncos” e agora voltou a dar-se mal com “a alma é o segredo do negócio”, diria mesmo que “meteu os pés pelas mãos”.

Para quem decretou o fim da chacota – já tinha decretado o fim do circo – as redes sociais encheram-se da mesma.

A “cereja no topo de bolo” ou como poderia ser dito por Frederico Varandas “o bolo no topo da cereja” foi que houve um desvario em termos de comunicação aos Sócios, primeiro com um mail em que os Leões que faziam anos foram “presenteados” com a efeméride do terrível acidente do Cherbakov, e em segundo recebi um mail com a agenda do… fim de semana passado.

Da chacota passou-se para a tragédia, para logo de seguida voltar-se à primeira. E não, não foi, ou é, o Sporting que é motivo, depois de lerem estas linhas fica óbvio quem é o motivo e porque é que esta é a crónica da chacota.

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

CRÓNICA DE HÁ APENAS UM SPORTING

Não quero dar sermões a ninguém. Não sou assim. Não quero dizer a cada um o que fazer. Gostava de falar com cada um de vós. Não há um Sporting dos Brunistas, Não há um Sporting dos anti-Brunistas, Não há um Sporting dos Croquetes, Não há um Sporting dos anti-Croquetes. Há apenas um Sporting e esse é de todos, é o de Portugal.

No Sporting há espaço para todos, o Estádio e o Pavilhão têm lugares suficientes para todos celebrarmos as vitórias do Sporting e cantarmos “O mundo sabe que”.

PJR

Todos parecemos ter perdido o rumo no último ano e cada um barricou-se nas suas ideias e tornou-se cínico. A internet acelerou a velocidade com que a informação chega até nós, mas levou-nos a afastarmo-nos, à mesma velocidade, das pessoas, dos “outros” Sportinguistas.

A nossa inteligência leva-nos a achar que todos pensamos demais sobre um assunto, mas a verdade é que sentimos de menos. Mais do que pensamento e discussão precisamos de sentimento.

A televisão, os jornais, foram criadas com boas intenções para todos estarmos mais próximo, embora muitas vezes o efeito seja o contrário e estes constituem-se como um verdadeiro poder, mesmo isto que agora leem terá várias interpretações, mas a mensagem que quero passar é que esta confrontação, e quase ódio, têm de passar.

Àqueles que me leem eu digo-vos, o poder dos Sócios vai ser devolvido aos Sócios através do voto e terão de ser estes a usá-lo de uma forma responsável.

Aos Sócios eu digo que, não percam tempo em ódios contra Sportinguistas, não se deixem levar por máquinas comunicacionais que nos dizem o que pensar, o que comer, como viver, nós somos pessoas, não se deixem levar por quem dá um tratamento de privilégio aos nossos adversários.

Não usem a vossa força em lutas contra Sportinguistas, lutem pelo Sporting, contra os adversários.

Vamos usar o poder do voto para ficarmos todos juntos por um Sporting vencedor, um Sporting sem barreiras de intolerância entre Sportinguistas, porque este é o meu desejo, e porque esta é a crónica de há apenas um Sporting.

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

CRÓNICA SOBRE O ENCANTADOR DE SÓCIOS

Confesso-me admirador dos dotes oratórios e da forma como Rogério Alves explana as suas ideias. Comecei por conhecê-lo na sua anterior passagem por Presidente da Mesa da Assembleia do Sporting, e mais o conheci e admirador fiquei, aquando da sua passagem por um canal de TV por cabo onde às segundas-feiras durante duas horas a vitória era segura.

Grandes goleadas dava Rogério Alves ao rival, para meu, e penso poder dizer no plural, nosso deleite. Mas se gostava de ver Rogério Alves a encostar nas cordas o representante do nosso rival, não posso dizer que gostei da sua entrada em ação na AG de 30 de novembro passado.

Rogério Alves pode ter toda a razão jurídica, não a vou discutir aqui, para não ter posto à votação a dispensa, ou não dispensa, da leitura da ata da AG, mas como pessoa inteligente que é, sabia muito bem que o simples facto de não colocar à votação a leitura da ata, como é hábito em todos os inícios de Assembleias Gerais, iria levantar dúvidas e desconfianças.

No seu próprio diagnóstico, dito por ele, para quem o quis ouvir, enquanto se procedia à contagem de votos e ele circulava por entre os sócios em amena e amistosa conversa, o grande problema do Sporting é a “desconfiança”. Segundo ele todos nós desconfiamos de “tudo e de todos”.

Dou total razão a Rogério Alves, há muita desconfiança entre nós, mas quando lhe perguntei: “Porque será?”, o Presidente da Mesa não soube responder. No entanto, eu respondo, são situações, como a não votação da dispensa, ou não, da leitura da ata, que sustentam essa desconfiança.

Tanto mais quando Rogério Alves anuncia em plena Assembleia Geral que é sua intenção fazer uma profunda alteração aos estatutos do Sporting, nomeadamente para permitir uma maior participação ativa dos Sócios na vida do Clube.

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Aliás na edição do Jornal do Sporting num artigo por si assinado, diz:

“Gostaríamos de promover, ao longo do mandato, uma reforma dos estatutos, visando permitir uma participação mais ampla e regular de todas as associadas e associados do Sporting na vida do clube. Um processo de reforma dos estatutos gerará momentos preciosos de reflexão acerca do nosso futuro comum. Apresentaremos um primeiro conjunto de linhas mestras, que, a nosso ver, deverão balizar as alterações a propor, no primeiro trimestre de 2019. Contaremos com a participação de todos na edificação deste projeto a bem do Sporting” Alves, Rogério in Jornal do Sporting 29/11/2018

Parece, pois, contraditório com a prática assumida na Assembleia Geral, mas espero que tenha sido apenas um percalço e o caminho seja o que escreveu e disse. Principalmente espero que a proposta da reformulação dos estatutos não vá no sentido da autonomização da SAD e à não possibilidade de interferência do Clube na sociedade que gere o futebol.

É bom relembrar, que há bem poucos meses, na apresentação da candidatura de Frederico Varandas, Rogério Alves deixava bem expresso o seu desejo

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Teremos assim de estar atentos ao conteúdo da proposta de alteração de estatutos, pois com os seus dotes oratórios, facilmente seremos levados pela eloquência e pelas imagens que Rogério Alves nos desperta na mente, por isso esta foi a Crónica do Encantador de Sócios.

Um abraço de Leão.

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

PS – os créditos deste título vão para a minha amiga Paula Correia a quem ouvi esta expressão durante a Assembleia Geral.

CRÓNICA DO NUNCA OUVISTO

“Esta não é uma vitória financeira, é a vitória da união, do compromisso, dos verdadeiros Sportinguistas… desde segunda-feira… tivemos vários… vários sócios a dirigirem-se ao Apoio ao Sócio para terem… terem… dar, doar 100 euros por terem ouvisto o apelo desta direção.”  Varandas, Frederico 23/11/2018

Frederico Varandas encheu o peito de ar. Após dias em que a corda esteve à volta do seu pescoço, respirou fundo e fez mais umas declarações que vão contra o espírito que tanto professa. Diz ele que é da União com o #unir, mas logo distingue os “verdadeiros Sportinguistas” dos “outros”.

E distingue do quê, pergunto eu? O que há para lá dos “verdadeiros Sportinguistas”? Os Sportinguistas? Os “falsos Sportinguistas”? Já não é a primeira vez que Frederico Varandas lança a suspeita, não nomeando a quem se refere, ou a que grupo se refere.

Uma coisa acertou, esta não foi uma vitória financeira. Mas já lá vou.

As dificuldades com que se foi expressando durante a conferência de imprensa não deixam dúvidas que estávamos em presença do atual presidente do Sporting. No entanto, se lhe colocassem uma casca de ovo na cabeça, ao ouvir e ver as suas declarações, após a conclusão da subscrição do Empréstimo Obrigacionista, pensaria estar em presença do Calimero, senão vejamos:

  • Queixou-se de falta de apoio dos bancos na venda;
  • Queixou-se que não teve direito a um empréstimo intercalar como “outros tiveram”;
  • Queixou-se de ter herdado a situação;
  • Queixou-se que só teve 1 mês e meio para lançar o empréstimo obrigacionista;
  • Queixou-se da imprensa que estava a dizer que ele estava a usar os bancos como bode expiatório da falta de sucesso da operação;
  • Queixou-se das notícias acerca do Sporting;
  • Queixou-se de detenções;
  • Queixou-se de processos;
  • Queixou-se de boicotes;
  • Queixou-se de calúnias de falência da SAD;
  • Queixou-se que resolveu o que “outros” não resolveram;

Só faltou mesmo queixar-se que em maio deste ano, o diretor clínico do Sporting, demitiu-se ainda com a época a decorrer, deixando as equipas sem médico, para se lançar numa corrida presidencial, quando havia um presidente em exercício e equipas em competição.

De facto, se esta subscrição tivesse sido um sucesso, como atabalhoadamente tentou fazer passar, não teria estado tanto tempo a queixar-se. Teria, isso sim, celebrado. Mas de facto não há muito a celebrar e as caras durante a dita conferência de imprensa denunciam isso mesmo. (ver imagem principal)

Este foi o primeiro Empréstimo Obrigacionista em que a procura dos títulos ficou abaixo da oferta. A procura foi de 25,9M€ o que correspondeu a 86% da oferta (30M). O total de investidores foi de cerca de 4.100.

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Compare-se com os anteriores Empréstimos Obrigacionistas que constam da imagem. Compare-se, principalmente com o anterior, também de 30M€, que teve uma procura que superou a oferta em 257%.

Em 2015 o Sporting não tinha o nível de proveitos que tem atualmente, Portugal saía de uma crise profunda, e mesmo assim os investidores acreditavam no projeto de Clube de forma cabal. Em 2018 com a economia a crescer, como já não crescia há muitos anos, e com um nível de proveitos superior, os investidores demonstraram falta de confiança no projeto e na sua liderança ficando a procura abaixo da oferta, e por isso é que esta é a crónica do nunca ouvisto.

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

 

CRÓNICA DE UMA OBRIGAÇÃO

Hoje será o último dia para subscrever as obrigações Sporting SAD 2018-2021. Nunca se falou tanto de um Empréstimo Obrigacionista, parecendo até que é coisa rara e que só o Sporting é que recorre a este instrumento de financiamento “pois está à rasca”, “sem dinheiro” e vai daí tem que fazer estas “coisas esquisitas”.

Nada de mais falacioso. De facto, o Sporting é o Clube que menos recorre a este instrumento de financiamento, como se pode ver pela imagem que retirei deste post d’O Artista do Dia. Embora seja de abril de 2018, dá uma ideia da diferença entre os 3 grandes. Em junho e julho deste ano, quer o rival de Lisboa, quer do rival do Porto, fizeram novas emissões não tendo baixado a exposição a este instrumento.

Evolução dos empréstimos obrigacionistas

E o que é afinal um Empréstimo Obrigacionista, para que serve e porquê recorrer-se a esta fonte de financiamento?

Basicamente uma Entidade, que pode ser uma empresa ou por exemplo o Estado, emite dívida, e alguém individualmente, ou uma instituição financeira ou não financeira – pode ser um fundo de pensões, ou uma empresa que tenha excesso de dinheiro em caixa e queira aplicar esse dinheiro – compra essa dívida. Em troca dessa compra a entidade emissora pagará um juro periodicamente – anual ou semestralmente – e no fim do prazo devolve o capital.

Tipicamente recorre-se a este instrumento para baixar o custo de financiamento, ou seja, o juro que se paga a quem empresta terá que ser menor do que o que se pagaria a um banco, isto caso o banco estivesse disposto a emprestar esse dinheiro. Por outro lado, o investidor compra esta dívida pois é remunerado acima do que um depósito a prazo lhe paga e por isso sente-se atraído para comprar as obrigações.

É pelo juro prometido que a relação da oferta e da procura se dá. Se o juro for considerado atrativo, para o nível de risco, da empresa emitente, por certo haverá muita procura, acima da oferta. Pelo contrário se o juro não for considerado atrativo, dado o risco, a procura situar-se-á abaixo da oferta.

O conceito de risco é muito importante em tudo o que é o mundo financeiro. Portugal tem mais risco que a Alemanha, por isso o estado português paga mais juro que o estado alemão nas suas obrigações do tesouro. Quando o risco é demasiado elevado, então não aparece ninguém para comprar ou aparecem poucos investidores, pois não há juro suficientemente atrativo para tanto risco. No mundo da finança não há cá lugar a sentimentalismos, é o vil metal que conta, e a credibilidade.

Ora, o que tem acontecido nos últimos meses no Sporting? Dias e dias seguidos, mês após mês, de ditos Sportinguistas, a juntarem a sua voz a adeptos e interesses adversários, atacando profundamente a gestão dos últimos 5 anos, arrastando a credibilidade do clube para a lama.

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Numa tentativa desesperada para limpar a imagem que tantos sujaram, temos assistido a diversas entrevistas de Francisco Salgado Zenha e de Miguel Cal, para assegurarem que o “drama e horror” afinal não passam de boatos. Felizmente está a dar resultado e os investidores estão a reagir, tendo ontem sido ultrapassada a barreira mínima e portanto garantida a emissão, mas infeliz e dificilmente, pela primeira vez um empréstimo obrigacionista ficará por subscrever na sua totalidade.

Esta calma e confiança transmitida por Francisco Salgado Zenha não é nada que já não suspeitássemos, pois, todos os números dos exercícios anteriores foram melhorando como podemos ver neste post d’O Artista do Dia, do qual retirei a imagem.

Contas - receitas operacionais

Na ânsia de criticar tudo o que está relacionado com a anterior direção, os tais ditos Sportinguistas que dia após dia, pululam pelos canais de TV, estão na realidade a queimar a credibilidade do Sporting, logo a aumentar o risco percebido pelos investidores, e a “lixar” o Sporting. Mas para esses ditos Sportinguistas, o que interessa é o seu desejo de vingança ser preenchido. Eles querem lá saber do Sporting.

Perante este cenário Frederico Varandas teve que fazer um apelo à moda da “operação coração”, sendo obrigado a deixar a postura institucional, para fazer o apelo emocional aos Sportinguistas para investirem nem que fossem 100 euros. Lá está o “beneficiado de ontem”, com esta fogueira de vaidades e falta de proteção do bom nome do Clube, é o “prejudicado de hoje” e Frederico Varandas vendo a falta de adesão dos investidores às Obrigações, teve que fazer “telefonemas” aos sócios.

Não há quem pare para pensar no que é o bem do Sporting, nem mesmo Frederico Varandas pensou, pois deixou durante tanto tempo os canais de TV queimarem a imagem da anterior direção sem nada dizer, não percebendo que no processo, o Sporting, Clube do qual é o atual presidente, também se lixa. Em último recurso, e já com a corda no pescoço, teve que fazer um apelo, contra o seu estilo, e é por isso que esta é a crónica de uma obrigação.

Nuno Sousa – Sócio 9.575 desde agosto de 1981

CRÓNICA DE UMA JORNADA EUROPEIA DIFERENTE

A última jornada europeia teve pontos muito interessantes de se analisarem. Dentro e fora de campo. Dentro de campo já foi bastante escalpelizado e o nosso Sporting teve uma resposta de raça e atitude, com muita coesão defensiva e uma ligação entre a equipa e a bancada como este ano não se tinha visto, ainda.

Mais uma vez, acompanhei o nosso Sporting, desta vez em Londres no estádio do Arsenal. Fica aqui uma nota, é um estádio muito confortável, com excelentes condições, que em certos aspetos mais parece um hotel misturado com centro comercial. O melhor onde já estive.

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Antes de entrar no estádio, aproveitei e fui visitar o Museu do Arsenal. Ficou evidente para mim, ao fazê-lo, perceber melhor a grandeza do Sporting Clube de Portugal. Incomparável.

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Habituados que estamos às más condições da esmagadora maioria dos estádios de Portugal, podíamos ter estranhado aquele conforto e adormecer na bancada, mas pelo contrário sentimo-nos tão bem, mas tão bem, que demos um espetáculo no apoio ao nosso Clube como aquele estádio ainda não tinha assistido.

Já há 2 anos atrás, na ida ao Santiago Barnabéu, o espetáculo foi tal, que no fim do jogo ao conviver cá fora com os meus amigos Sportinguistas, os madridistas que paravam para falar connosco diziam espantados que nunca tinham visto tal atitude nos adeptos no apoio ao seu Clube.

Ou seja, os Sportinguistas elevaram lá fora, da melhor forma, o nome de Portugal e dos Portugueses. Não que fosse reconhecido cá dentro, ou dado o devido destaque, mas sim, pelo que fomos acompanhando pelas redes sociais, no que iam dizendo os ingleses que assistiam ao jogo.

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Pelo contrário os adeptos dos nossos rivais de Lisboa destacaram-se pela negativa. Curiosamente, ou talvez não, também não houve destaque em Portugal, mas houve lá fora. Vejamos o que disse um jornalista Holandês hospedado no hotel atacado pelos ditos adeptos.

«Em toda a parte só se via sangue depois daquele que foi um ataque cobarde de hooligans ligado ao Benfica», Mike Verweij, jornalista do Telegraaf que estava hospedado no hotel alvo do ataque

Acalmem-se todos! Pois não foi um ataque terrorista! Foi uma visita de cortesia, senão vejamos o que é contado no Telegraaf:

“vários elementos afetos aos encarnados, todos vestidos de preto, atacaram os adeptos do Ajax numa unidade hoteleira perto do Estádio da Luz”.

Portanto estavam todos de preto, pois têm bom gosto a vestir e como todos sabemos “de preto eu nunca me comprometo”, siga!

os adeptos holandeses foram mesmo obrigados a fugir para os quartos para se refugiarem, sendo que foi necessária assistência médica para alguns adeptos.”

Qual o problema? afinal, o que estavam a fazer estes holandeses no lobby do hotel e na esplanada, àquela hora, Hum hum hum?

Como Portugal é um país que não precisa do turismo para nada, isto que aconteceu no hotel contra cidadãos holandeses é coisa pouca, sem interesse para o Presidente da Assembleia da República ou para o Presidente da República, pois desta vez não fizeram nenhuma declaração a dizer que se sentiram vexados.

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Assim os adeptos Sportinguistas deram 15 a 0, como diria o Ricardo Araújo Pereira, aos adeptos do seu clube, e é por isso que esta foi uma Crónica de uma jornada europeia diferente.

PS – enquanto escrevo esta crónica nos diversos canais de TV só se fala de um assunto, de um homem só, até parece que o E-toupeira, um processo onde se julga a infiltração de um clube no sistema de justiça de um estado de direito é coisa sem importância… estranhos dias estes que vivemos.

Um abraço de Leão

Nuno Sousa, Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

CRÓNICA DO CRIME

A Crónica do Crime era uma série policial que passou no final dos anos 80 início dos anos 90, naquele tempo, era o tempo pré canais privados, pré televisão por cabo.

Todos víamos as mesmas séries, e às terças-feiras, durante muitos anos, esse dia era reservado às séries policiais.

Essas séries de investigação criminal/policial andavam sempre à volta de duas questões fundamentais:

  1. A quem aproveitava o crime cometido, ou seja, quem sairia beneficiado com o ato?
  2. Qual o móbil do crime, ou seja, qual a motivação para o crime ser praticado?

Agora que a TVI dá como certo que Bruno de Carvalho está indiciado por 56 crimes, entre os quais sequestro e ameaça agravada, vou fazer as perguntas a que me habituei a ver serem colocadas às terças-feiras à noite nos anos 80/90 pelos detetives, heróis dessas séries.

Partindo do pressuposto de que é verdade que Bruno de Carvalho, é “o autor moral”, o “instigador”, o “mandante do apertão”, o que beneficiaria, Bruno de Carvalho, com o ataque à Academia?

Se alguém me conseguir responder a esta pergunta agradeço-lhe muito, pois eu por mais voltas que dê, não consigo. Terá Bruno de Carvalho feito um erro de cálculo e viu um benefício que mais ninguém conseguiu ver? Não me parece, pois como sempre vimos nos filmes ou nas séries, o público simpatiza sempre com a vítima e não com o criminoso, mas posso estar errado.

Quanto à segunda pergunta, partindo do pressuposto de que é verdade que Bruno de Carvalho, é “o autor moral”, o “instigador”, o “mandante do apertão”, que motivação teria, Bruno de Carvalho, para ordenar o ataque à Academia?

Aqui, algumas pessoas serão tentadas a dizer que a motivação era forçar os jogadores a reagirem, a serem de tal forma espicaçados, que em campo dessem uma grande resposta e trouxessem a Taça de Portugal para o Museu do Sporting, e assim compensassem os Sócios e Adeptos, após o falhanço inqualificável do acesso à Liga dos Campeões.

Mas este argumento tem uma falha, pois há bem poucos dias, foram revelados SMS em que Bruno de Carvalho revelava a André Geraldes que, após o falhanço do acesso à Liga dos Campeões a vitória na final da Taça de Portugal não o compensaria em nada.

Assim sendo, espero que rapidamente se saibam as respostas a estas perguntas, sob pena de ficar a sensação que alguma peça fica a faltar neste puzzle, e que afinal os argumentistas que fazem os filmes e séries policiais insistem num erro grave, que é tentarem durante os episódios responder a estas duas questões, mas pelos vistos, estas perguntas não precisarem de ser respondidas para alguém ser acusado, e por isso esta é a Crónica do Crime.

P.S. – Será que ao longo da história sempre que um casal, ou um par de namorados, ou amantes, tenham cometido suicídio, poderemos argumentar que Shakespeare por causa de Romeo e Julieta foi o “autor moral” desse ato?

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

CRÓNICA DO ENCONTRO ENTRE DOCTOR VIEIRA E MISTER VARANDAS

“Se o senhor Varandas vem com o mesmo propósito, não deverá lá ficar muito tempo. Se ele se preocupar só com o Sporting, pode ter algum sucesso. Se olhar para o vizinho do lado, não. Porque o vizinho do lado já vai com um andamento que ele nunca mais vai lá chegar.” Vieira, Luís Filipe TVI 30/10/2018

Ía acontecer mais cedo ou mais tarde, assim que os resultados da sua agremiação fossem piores que melhores, seria uma questão de tempo até o ainda “Dono Disto Tudo” apontar baterias ao seu alvo preferido, o Sporting Clube de Portugal.

Fica bem visível neste “aviso” que o presidente dessa agremiação fez, que ele sabe, e sabe muito bem, como se faz para tirar um presidente do Sporting desse cargo, pois se um qualquer presidente do Sporting “olhar para o vizinho do lado”, então “não deverá estar lá muito tempo”, pois o dito “vizinho do lado já vai com um andamento que ele nunca mais vai lá chegar”

Isto diz muito de nós Sportinguistas, diz que nunca nos soubemos defender dos fatores externos, como são exemplo estes vizinhos indesejados que temos, e há até uns ditos Sportinguistas que acham piada, dão credibilidade a estas tiradas dos adversários e até apoiam, caso o presidente do Sporting não seja aquele em que tenham votado, ou porque simplesmente acham que têm fair-play ou “são diferentes”.

Quantas vozes Sportinguistas sempre prontas a “falarem” se levantaram a defender o Sporting e o seu presidente deste aviso do “Dono Disto Tudo”?

“Sobre o doutor Vieira, fiquei sensibilizado com a preocupação da longevidade do meu mandato, pode contar com o Sporting a lutar pela verdade desportiva, valorização do futebol português, implacável na luta contra a corrupção. Se me perguntam o que acho do caso e-Toupeira, tenho a dizer que é uma vergonha. Se me perguntarem 20 vezes, direi 20 vezes que é uma vergonha” Varandas, Frederico 3/11/2018

Frederico Varandas esteve bem a responder à pergunta feita pelo Expresso acerca do processo E-Toupeira e esteve ainda melhor na contrarresposta a Luís Filipe Vieira… perdão, na resposta ao doutor Vieira.

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Mas, não podemos esquecer que os atacados de “hoje” são os beneficiários de “ontem”, pois quando o mesmo doutor Vieira disse que “ía fazer uma ou duas loucuras atacando jogadores do Sporting, pois não se esquecia dos ataques feitos por Bruno de Carvalho”, ninguém dito Sportinguista, notável e com voz se indignou. Pelo contrário o que vimos foram disparatados pedidos públicos ao amigo Vieira para nada fazer. Vimos também, após as ditas afirmações, alguns atos de subserviência inaceitáveis, que incluíram passeatas pela tribuna da Luz.

“Foi uma decisão de tal maneira precipitada que o Sporting anda à procura de soluções. Aquilo que fez, fê-lo sem ter uma solução credível, rápida e que pudesse, de facto, ser aglutinadora. Por isso, acho que foi algo que não se justificava de maneira nenhuma” Dinis, Carlos vice-presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol 2/11/2018

Também da Associação Nacional de Treinadores veio um ataque. Desta, e da sua atividade, confesso que só tinha ouvido falar quando Marco Silva foi despedido. Agora com o despedimento de José Peseiro deram um novo sinal de vida. Mas, haverá ato de gestão mais “normal” de uma equipa de futebol que despedir um treinador de futebol? Não é uma questão de se concordar ou não com a decisão, é uma questão de legitimidade de um presidente, qualquer que ele seja, em despedir um treinador. É que um presidente tem essa legitimidade… exceto o presidente de um clube, o Sporting, no entender destes da Associação de Treinadores.

“Enquanto presidente do Sporting faço o que achar melhor para o Sporting, o resto não interessa” Varandas, Frederico 3/11/2018

Também aqui, esteve bem Frederico Varandas na contrarresposta dada, sem sequer nomear o nome destes. Vamos estar atentos ao que têm a dizer com os despedimentos que aí vêm, e ao que vão dizer os senhores da dita Associação. Sabem o que vão dizer? Isso mesmo, nada!

Vai chegar o dia em que o Sindicato dos Jogadores vai criticar Frederico Varandas, seguir-se-á o Sindicato de Jornalistas, e por aí fora, pois os “beneficiários de ontem” serão os “atacados de amanhã”. Bruno de Carvalho foi atacado, “amanhã” será assim com Frederico Varandas, no meio disto tudo um denominador comum: “quem se lixa sempre é o Sporting”.

Em conclusão, parece que Frederico Varandas “sentiu-se picado” pelo tratamento que lhe foi dado por Carlos Dinis e principalmente por Luís Filipe Vieira, e de uma só cajadada matou dois coelhos. Correu-lhe bem este primeiro confronto, e por isso chamei a esta crónica, a crónica do encontro entre Doctor Vieira e Mister Varandas

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

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