Estive a ler o artigo do Samuel Almeida ao jornal O Jogo. Vou aceitar o seu repto e discutir as “propostas” de alteração estatutária que deixou, mais ou menos delineadas, nesse artigo.

Comecemos pelos pressupostos. O Samuel quer evitar as minorias organizadas de bloquearem o Clube.

O que são minorias de bloqueio no Sporting? É que não existem!!!! Nas últimas 6/7 AGs, a única vez que isso mais ou menos aconteceu (e foi por inépcia do Jaime Marta) foi quando um punhado de sócios (Severino, Boal e afins) conseguiu fazer que o PMAG da altura tivesse de suspender a AG e adiá-la para outro dia, por não conseguir controlar esses Sócios.

Mas que eu saiba, na seguinte foram aprovadas as propostas que se iam votar nessa AG e portanto, não entendo bem onde o Samuel considera ser este um perigo!

A não ser que esteja a propor 1 sócio, 1 voto. Isso sim iria prevenir que uma “minoria” de sócios pudesse controlar os destinos do Clube à revelia da maioria dos sócios, em número.

Propõe de seguida que se separe o Conselho Fiscal do Disciplinar. Aqui estou de acordo. Penso que são dois orgãos de natureza distinta que juntos, torna mais dificil formar listas capazes de cumprir ambos os objectivos, o Disciplinar e o Fiscalizador!

Sobre o Conselho Fiscal não acho que seja necessário para nada, uma vez que a fiscalização e audiotoria das contas, de um Clube como o Sporting, é feita através de Sociedades ROC e como tal, este orgão só serve para as questões disciplinares e para dar o OK a algo, que já foi dado pelos revisores e auditores.

Mas o Samuel quer que o Conselho Fiscal e Económico tenha uma participação mais activa na elaboração do orçamento! Ó Samuel eu nunca na minha vida pertenceria a um orgão executivo onde não pudesse apresentar o meu próprio orçamento e estivesse dependente das linhas orçamentais de terceiros…

Mas vai mais longe o Samuel… Propõe que o Conselho Directivo do Clube tenha somente Directores não executivos e uma Comissão Executiva composta por 5 elementos pagos… que teriam presença por inerência no Conselho de Administração da SAD. Não consigo descortinar a mais-valia desta proposta. Quais seriam as funções deste órgão de Direcção? Para que serviria? Somente como órgão de regulação da comissão executiva? Então e o CFE faria o quê?

Quanto ao Provedor do Sócio, Samuel… Já existe! Chama-se PMAG! Se estes não cumprem o seu papel de Representantes dos Sócios, então destitua-se do cargo e escolha-se outros que o façam.

Sobre a proposta da Mesa ter um orçamento independente… É para mim daquelas coisas que ficam bem em Papel. Qual seria a fonte de receita deste órgão? É que sem fonte de receita autónoma, não faz muito sentido ter orçamento autónomo até porque teria de ser o CD a disponibilizar a verba! Além disso seria difícil prever as actividades da Mesa para um determinado ano… Existem somente 2 AGs obrigatórias, 3 em ano de eleições…

Sobre o Conselho Estratégico, este não carece de ser regulado estatutariamente! É um orgão consultivo de natureza circunstancial, feito à medida de cada CD ou de cada Presidente! Já agora Samuel discutir estratégia com os Sponsors presentes? LOL! E porque é que os Stromp deveriam ter assento nesse Conselho? E mesmo que fizesse sentido estarem, porquê esse e não outros GOA, como por exemplo as claques? E os sócios estariam representados por dois sócios sorteados? Claro que o sorteio seria vedado a todos os sócios com menos de 15 anos de antiguidade… Qual a validade e a representatividade de sortear dois sócios para representar um universo de 180 mil, que não pensam de igual forma? Esta proposta é discriminatória e sem qualquer uso.

Ainda sobre os Grupos Organizados de Adeptos, tenho a dizer o seguinte… estatutos aprovados em AG? De quem? Do Sporting? Vai-me desculpar Samuel mas não concordo de todo! Estes grupos podem ter estatutos que obedeçam a determinadas regras impostas pelo Clube, mas não nos cabe a nós Sócios do Sporting votar os estatutos de outras associações. Além do mais, esses estatutos, depois de aprovados pelos seus associados, poderão estar depositados no Sporting, mas a decisão de os tornar públicos só cabe aos seus associados e não aos Sócios do SCP.

Por último Samuel deixe que lhe diga uma coisinha sobre as AGs com delegados! Eu não preciso de ser representado por ninguém nas Assembleias Gerais do meu Clube, nem quero! Eu sou a minha própria voz! Muito menos delegaria a minha capacidade em outro sócio escolhido por sorteio!

Não entendo a intenção de aproximar a nossa Associação aos Partidos Políticos, até porque nos partidos, os delegados aos congressos são eleitos e não sorteados e qualquer pessoas com 1 ano de filiação partidária pode ser eleito delegado.

O que o Samuel propõe não faz qualquer sentido até porque os sócios não poderiam eleger os seus representantes. Ao invés, estes seriam sorteados… Que tipo de democracia representativa seria esta? Como saberiam os representantes a vontade dos seus representados?

Uma última palavra para o mecanismo de censura que o Samuel fala, de forma genérica, no seu artigo. 15000 votos para uma AG que seria de destituição é isso?

Em resumo, acho que é sempre de saudar quando um sócio faz propostas para melhorar a qualidade dos estatutos do nosso Clube.

Considero também que as propostas apresentadas representam uma drástica diminuição da capacidade dos sócios só Sporting Clube de Portugal intervirem na vida do seu clube, de outra forma que não seja somente ir à bola.

Estas propostas, a serem aprovadas, poriam em causa a democraticidade interna e criariam uma maior discriminação entre os sócios, priveligiando os com maior antiguidade, em detrimento dos sócios mais novos.

Portanto Samuel, se estas ideias alguma vez virem a luz do dia em forma de proposta, serei frontalmente contra e incitarei todos os meus consócios a fazer o mesmo.