Eu sou do tempo, recente, em que éramos feitos de silêncios nos cafés, do tempo em que não víamos as crianças equipadas à Sporting irem para a escola. Em que poucos adeptos viam as modalidades porque se dispersavam por pavilhões, muitas vezes, com poucas condições e distantes de Alvalade.

As coisas foram mudando…

Vi, nos últimos anos, nos cafés, mais Sportinguistas do que nunca com orgulho de serem do Clube, vi, também, com regularidade, muitas crianças vestirem as camisolas do Sporting. Vi muitas vezes o estádio cheio e uma vibração que não consigo traduzir por palavras.

Uma vez, pelo menos uma, lembro-me bem, no programa Juízo Final, que já não existe, dei um cartão verde aos Sócios e Adeptos do meu Clube com um reparo: para seremos campeões, primeiro, é preciso os adeptos terem mentalidade de campeão!

Expliquei a minha teoria que consistia por defendermos o nosso Clube e quem o representava, em todas as circunstâncias e em todos os lugares, cafés inclusive. Teríamos que, primeiro, ser campeões na exigência e no compromisso com o Sporting defendendo-o como se defende um filho. Ajudá-lo a crescer. Para depois sim, estarmos preparados para essa condição que há tantos anos almejamos sem sucesso.

Senti-me perto, muito perto, de ver o Sporting campeão, mas, estranhamente e por explicar, acabou por perder o campeonato para o Benfica.

Senti que, talvez fruto do entusiasmo de algo nunca vivido, estávamos no rumo certo e que chegaríamos lá. Fiquei na expectativa que também a justiça desportiva explicasse e corrigisse, se fosse caso disso, o que errado e ilegal tivesse acontecido nesse campeonato.

Hoje tenho a consciência ou a convicção que nessa época foi traçado um longo futuro que agora se cumpre em pleno. Agarrados ao ego e aos bons costumes voltamos ao progressivamente aos velhos tempos dos silêncios e da chacota em que os Sportinguistas vão desaparecendo porque não acreditam na Justiça, seja desportiva ou civil, vão perdendo a força e deixam morrer devagar a chama que outrora tiveram.

Há, agora, um Hitlerismo no Sporting, que quer aprimorar a raça de Leão, que quer criar um elitismo e um hábito de festa como se o futebol não fosse um desporto do e para o povo.

Filtram, pelo aumento do custo para os Sócios, que querem apoiar o Clube abrindo um fosso entre quem quer e quem pode.

Chamaram a isto #UnirOSporting!

Preferem os Adeptos com poder para assistirem ao espectáculo, os bem comportados, os chamados de bem, os que sem criticar pagam a sua ajuda, mas, em momento algum, fazem ruído ou manifestam sem medos o que pensam. O momento é de paz, usam a frase como uma senha e um slogan como se fossem regressados de uma guerra sem igual.

Não que a guerra não tenha acontecido. Aconteceu. Mas foi uma guerra de mentes perversas, já o disse, apenas afectou o Sporting. Beneficiando outros clubes e alguns personagens da nossa praça e não só…

Eu sou do tempo do nada, do quase e do agora.

Agora, com a bandeira de uma Taça que nada valia e de outra que deveria ter sido ganha no ano anterior, vemos jogadores dados, vemos negócios prejudiciais e outras coisas que ninguém ousa falar porque há um único alvo a abater.   

E estamos perto de duas AG´s para UNIR O SPORTING.

Ninguém explica as saídas gratuitas dos atletas, os gastos abusivos, a nova comunicação do Clube e os silêncios que se parecem com aqueles dos tempos dos cafés…

Como ninguém explicará, quando voltarmos ao passado, como ali chegamos!

Eu sou do tempo em que vários tempos atravessaram o meu tempo…