Escrevo-vos no dia da Liberdade. Felizmente posso escrever o que penso, não sobre liberdade real, mas sobre o que vejo, sinto e acima de tudo sobre os factos – mesmo que seja a minha visão, interpretação ou desejo – aqui posso fazê-lo sem medos, sem ser silenciado. É esta a minha liberdade, a vossa, é conseguirem ler, concordar ou discordar, comentar e partilhar um sentimento.

Mas é importante frisar que o conceito de liberdade nem sempre é igual e muitas vezes é mascarado de outras coisas para fins pretendidos, afinal, a liberdade, é mais uma ferramenta que também tem uma utilidade propositada e de conveniência, mesmo, muitas vezes, dentro das regras e dos estatutos ou das leis em vigor. Tudo passa pelo poder, a liberdade é uma arma do poder!

No Sporting CP, no enquadramento dos Órgãos Sociais da actualidade, já vi essa liberdade beliscada e agredida. Exemplos? Comecemos por dentro de casa, vi AG´s em que a vontade dos Sócios foi negada, mesmo cumprindo as legalidades e os requisitos indicados nos estatutos. Os diversos pedidos ao PMAG pelos Sócios foram recusados. Alguns que nem precisavam de ser pedidos por ser regra e que foram sonegados. Tudo isto por ser visto – dentro da abrangente visão – como um género de liberdade…

É de uma liberdade extrema fingir uma auditoria forense, divulgar tudo a um Órgão da C.S., fazer correr tudo pela Internet e depois dizerem aos Sócios que podem ler na íntegra se tiverem as quotas em dia. Liberdade e criatividade. Como o longo silêncio após os factos, é uma liberdade imensa. A entrevista do PMAG ao Canal do Clube também é um bom exemplo. Fiquei com duas certezas: A confirmação do rico léxico que cria – propositadamente – um encantamento linguístico pelo entrevistado e que o Sporting CP começa a ter um problema com os PMAG´s que elege.

Viva a liberdade de estar calado por tempo indefinido e a viva a mesma liberdade de quebrar esse silêncio com uma comunicação que mais valia continuar calado! Parece um paradoxo, mas para ter a liberdade de trazer à crónica o actual líder do Clube só mesmo com paradoxos… Dêem-me, por favor, essa liberdade.

Mas o importante é que a equipa profissional de futebol vai numa série de jogos consecutivos a ganhar, fantástico não é? E ainda podemos salvar a época como uma das melhores dos últimos anos se… se ganharmos a Taça de Portugal frente ao FC Porto. Tão pouco comparativamente à exigência que já vi em outras épocas.

Viva a liberdade de uma Comissão de Gestão ter feito tantos danos ao Clube em tempo recorde. Dois meses e tanta miséria. E nem vou questionar a factualidade da mudança da cláusula contratual de BF (100 Milhões de Euros para 35M) que, a confirmar-se, vai dar ganhos chorudos a alguém, mas, é a liberdade de uma CG que tudo fez, dizem uns e contradizem outros, tudo fez para salvar o Sporting. E Sousa Cintra até mereceu um jantar de homenagem… Liberdades sem garantias!

E por falar em contradição, que é o que abunda agora no Clube, trago-vos a liberdade de Francisco Salgado Zenha para dizer que o Sporting não tinha nenhum problema financeiro, fê-lo em momentos e em canais diferentes, para depois, o tempo dirá porquê, dizer o inverso com a mesma liberdade de sempre. Repito, a liberdade é uma ferramenta transformada em arma do poder!

E dentro da liberdade, mas fora do seio do Sporting, ainda temos que assistir à liberdade de fustigarem o nosso Clube. O mais recente episódio foi ontem no futsal com o castigo de 4 jogos por causa do comportamento do público em 2 jogos no PJR em 2018. Escrevi, de imediato, no twiter a minha indignação sobre este abuso da FPF – contra a qual muitas vezes tive a liberdade de manifestar-me no Canal do Clube – e em que, felizmente, esta Direcção reagiu de pronto e bem.

Depois de tantos episódios graves ocorridos na Luz ou no Dragão Caixa é sempre o Sporting que é severamente punido. Viva a liberdade de atacar o Sporting CP!

E como não podia faltar, permitam-me não elencar os factos, episódios ou exemplos, certamente flutuam na vossa memória, ainda há a liberdade de manietar o pensamento dos adeptos através dos diversos programas televisivos e da imprensa escrita numa dose diária para não existirem falhas no processo. Isto é a liberdade que temos e merecemos.

De liberdade em liberdade – como ferramenta transformada em arma – vamos vivendo os dias com ferimentos até que a guerra acabe e, certamente, mais depressa acabaremos nós que esta guerra do poder, do dinheiro e da ganância egocêntrica do ser humano.

Viva a Liberdade!