Já todos conhecem o Portugal dos Pequeninos em Coimbra, se ainda não conhecem, devem ir visitar e de preferência com as crianças que vale bem a pena!

A versão da minha crónica não escolhe idades nem ideologias ou cores clubísticas, assenta que nem uma luva a todos chama-se – Portugal dos Totós – e nem precisa de sair de casa basta assistir à televisão, de preferência à CMTV ou TVI, mas se sair, num qualquer café ou pastelaria encontrará um jornal diário, seja desportivo ou não, com o nome de CM ou Record que é feito, precisamente, para alimentar os totós espalhados pelo país.

Mas, atenção, também há totós fora do território nacional, embora, acredito eu, sejam menos ou não tão influenciáveis.

No auge desta epidemia mental estão, claramente, muitos “encarnados” que partilham as notícias difundidas nos ditos jornais como verdades puras e provadas para acicatarem e retocarem os Leões que sempre defenderam uma Direcção ou um Presidente. É uma partilha orgástica também exibida e difundida por muitos verdes – e que não vejo a hora de amadurecerem – como se fosse um troféu ou uma vitória.

Portugal está cheio de totós! Infelizmente, mais que uma afirmação é uma constatação.

Desportivamente falando, Portugal é dos totós que tudo fazem, tudo podem e vivem felizes no reino da hipocrisia e da mentira, mesmo que esteja à vista de todos, e ainda há quem tenha a coragem de, publicamente, a tentar transformar uma mentira numa verdade. Depois, do outro lado, estão os totós que acreditam e defendem essa inacreditável mentira sem escrúpulos.

Até no relvado vemos e constatamos essa dura realidade dos totós. Em Santa Maria da Feira vimos um golo anulado ao Feirense só porque era o 2-0 contra o Benfica. Diz que em caso de dúvida beneficia-se quem ataca… Lérias! É que antigamente existiam desculpas de que o árbitro não viu, que estava mal posicionado ou que foi muito rápido, agora, com tecnologia como o VAR tem, a vergonha é a mesma, ou seja, inexistente e vale tudo. Sem pudor e com lampejo há a arte de exibição para os totós que apenas e só querem ganhar não importa como nem porquê, é preciso ganhar ou ganhar, mas, cada vez mais, vemos a defesa do crime e da corrupção com consistência e com arte no episódio de moldar as mentes ou transformar mais pessoas na paupérrima condição de totó!

Ninguém fala do episódio do directo no Facebook que apenas serviu para aumentar as audiências televisivas, quase como uma encenação geral para totós verem à noite em vez da novela ou após!

Irrita-me mais esta nova condição de totós que emergiu no país que a própria corrupção ou mentira que vivemos! Se as últimas são ilegais, o ser totó é tão-somente ridículo e estúpido! E contra a estupidez humana pouco ou nada há a fazer…

Vivemos um Portugal para totós, dentro e fora do desporto! É tão transversal que se tornou natural, irreversível e numa quase moda em que é chique ser totó! Não me metam rótulos pelos olhos nem modas, tão cheio que estou de ser apelidado de “Brunista”, mas, meus caros, antes Brunista – seja lá o que isso for – do que totó! Do que adepto sem ética à procura de vencer de qualquer jeito!

O meu Portugal está podre a cheirar mal e cheio de totós com uma arma nas mãos, que muitos chamam de ferramenta mas que todos conhecem como Redes Sociais!

Gladiam-se por lá, qual campo de batalha dos tempos modernos, a trocar argumentos sem a mínima coerência. Eles são apenas os donos da verdade. Da sua verdade de conveniência, não certificada nem oficial, apenas o que baste para muitos totós consumirem em proveito próprio ou para difundirem como arma na próxima batalha. Sem memória e sem futuro que tudo o que importa é o presente e iludir os outros!

Mundo triste este que nem vontade dá de estar perto. Coitados dos que em troca de um salário para sustentar a família tenham que fazer determinadas figuras, embora com a justificação do seu sustento, sempre são uma parte integrante do todo, mas, pior, são os outros comidos por totós e totós na sua plenitude que nem um cêntimo ganham com esta hedionda e grotesca mentira global em que vivemos.

Defraudado mas nunca totó!

Perdão, mas não sustento este novo Portugal de totós.

Eu sou livre de pensar pela minha cabeça e recuso-me a consumir manipulações e mentiras.

Não quero pertencer a este Portugal de totós!

Nunca vou pertencer a este Portugal de totós!