INTRODUÇÃO

Aplica-se o “efeito Escher” ao mundo actual que vivemos no Sporting onde o fenómeno mais vigente é, comparativamente à cultura desbravada na pintura de Escher, a da ilusão óptica. Há genialidade, muita incompreensão – ainda nos dias que correm – e pior, com alguma aceitação.

O EFEITO ESCHER NO MEU OLHAR LEONINO OU A GENIALIDADE DA INCOMPREENSÃO E ACEITAÇÃO

Escadaria Escheriana – é a melhor definição que encontro para o actual Sporting, sé é que me entendem… Mostro-vos o vídeo para quem desconhece esta realidade.

Traduzindo emocionalmente a minha visão da escadaria Escheriana, em mim e aplicada ao mundo Sporting, daria qualquer coisa próxima deste sentimento:

Tenho saudades do meu Sporting. Visito, a espaços, o Pavilhão João Rocha, – vi o Voleibol e o Futsal, e foi ali, naquele pavilhão especial, que aprendi a amar mais o Hóquei em Patins e a redescobrir uma acentuada paixão pelo Andebol – e, também, sem a frequência que estava habituado, vou indo ao Estádio ver, cada vez menos, a equipa principal de futebol. Deixei de acompanhar a formação e, infelizmente, o futebol feminino que tanto gostava. As saudades são imensas. A desmotivação também.

Perdi, a permeio, a emoção de outrora. Perdi, também, aquela ânsia que crescia desmesuradamente com o aproximar dos jogos. E, confesso-vos, que sinto um estranho medo misturado na saudade de perder o apetite emocional que sempre nutri pelo Clube do meu coração. Estou apático. Esta apatia talvez seja uma defesa ou uma consequência por ter vivido intensamente o Sporting, por tê-lo feito de peito aberto defendendo as minhas convicções, por vezes, mais fortes do que eu.

Sinto uma estranha genialidade pela incompreensão que se agarra, tristemente, à aceitação, e ambas, de braço dado, ancoram-se no mais profundo de mim, como um contra-senso ou algo que não consigo traduzir em palavras por ser mais que uma  inadequada e cena incompreensível, por tornar-se numa aceitação resignada.

A genialidade não abunda, em paralelo, a incompreensão é prematura e estéril. Já a aceitação vai sendo diluída pelo tempo e, lentamente, morro em cada dia que se despede dos meus olhos. Mais que uma morte poética, que existe, há uma morte real devoradora que assalta – o termo é o mais apropriado – a minha memória e resvala na saudade. Mas, estamos vivos!

Todas a lutas morreram. Estão sepultadas, também elas, na mesma memória estéril que nem para museu serve.

Todas as conquistam perderam-se no tempo e talvez algumas sejam salvas para um dos museus do Sporting. Talvez enquanto existirem pessoas que amem o Clube com a mesma intensidade de sempre, com ou sem mágoa, mas com o mesmo verdadeiro amor.

Até esta profunda tristeza em mim tem a genialidade da incompreensão e aceitação. Paradoxos à parte. A vida é mesmo assim. Feita de ciclos até que a morte determine um fim. Mas morrer e continuar vivo – desportivamente falando – é uma inércia tortuosa que machuca e agita emoções. Dói e corrói. Tortura quem sobrevive as intempéries da vida.

Não há Cultura que nos salve. Borram a pintura e a música tem uma mensagem em busca de um inusitado salvamento. A tristeza abunda. O perigo é real. Morreremos todos num ápice cultural, mas, antes, a minha mensagem fica para a posterioridade.

E num quase grito de desespero digo:

“Diga algo, estou desistindo… Diga alguma coisa.”

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