O Sporting voltou a ganhar! 1-0 ao Santa Clara, num jogo paupérrimo, que provocou o sono a todos quantos resolveram assistir à partida.

Antes do início, o pivot na TV informava que Bas Dost iria jogar… Pensei para mim que ele ia estar em campo porque infelizmente, ultimamente, jogar não é com ele… E não me enganei. Dost fez um jogo miserável…

Parece-me pacifico considerar que o Sporting atravessa um momento delicado. Além da atmosfera que se vive em torno do Clube é a segunda semana que temos um dirigente agredido. A semana passada foi na Tribuna do Bessa e agora no Dragão Caixa.

Não me quero debruçar sobre cada uma das agressões em específico, mas o porquê delas acontecerem, mais propriamente agora.

Não é segredo para ninguém que o Sporting nunca foi um Clube pacífico, nem sequer unânime entre os seus sócios e simpatizantes. Sempre houveram vozes discordantes das gestões correntes e, desde o fim da era João Rocha, que sempre acabámos por subservientes ou ao Benfica, ou ao Porto servindo, de uma forma ou de outra, os seus propósitos.

Salvo raras excepções, a seguir ao JR, as gestões que por lá passaram sempre se importaram mais com os seus objectivos pessoais do que gerir o clube com competência. Veja-se o caso de Santana Lopes que foi Presidente do Sporting para relançar a sua carreira política! Ou então foram incapazes de transformar o grande potencial deste clube na energia necessária para o revitalizar e para o pôr de volta no caminho das vitórias.

Com a chegada do novo século o Sporting entra na era Roquete e na empresarização do Clube e em 2000 e 2002 conseguimos ser campeões. A última vez que o havíamos sido, antes disso, fora em 1982, 18 anos antes portanto. Durante esse longo período, para nos dedicarmos em regime de quase exclusividade ao futebol, fomos acabando com as modalidades onde ainda íamos dando luta e conseguindo ser campeões. Foi a fase mais negra do nosso Clube!

Os Sportinguistas deixaram de saber o que é o doce sabor da vitória e começaram a procurar “gratificação”, que a substituísse, nas pequenas vitórias morais: ganhar aos rivais, ser melhor na formação, etc. No fundo tudo o que pudesse devolver algum orgulho a uma massa adepta desiludida e cansada de perder. Aos poucos, esta massa adepta foi-se afastado do Clube e das equipas… Até ao desinteresse total.

Em 2013, a Direcção eleita conseguiu alterar o discurso, instilando o orgulho e conquistando novos e velhos adeptos e sócios, criando a ideia de que teríamos sempre de lutar pelos títulos de campeão em todas as modalidades. Recuperaram-se as finanças do Clube, negociou-se com o bancos e fizeram-se sacrifícios. Mas ao fim de algum tempo, já se podia ver que os Sportinguistas estavam a regressar e a voltar a sentir orgulho em usar as cores do clube.

Lembro-me bem que a discussão mais acesa nas redes sociais desses tempos era se o Sporting devia jogar com calções brancos, verdes ou pretos! Ah a discussão dos calções que hoje parece coisa de um passado tão distante…

Claro que nem esse período foi pacífico. Internamente havia uma oposição feroz, que muitas vezes não se importava de sacrificar o Clube em prol dos seus objectivos e da queda prematura da Direcção eleita.

Ao fim de 5 anos, a Direcção foi destituída, num golpe levado a cabo pelo Persona Horribilis Jaime Marta Soares e pelos seus muchachos, sem ter conseguido ser campeã de futebol… Ou se quiserem por não o ter conseguido, apesar de ter sido campeã nas outras 54 modalidades, algumas delas entretanto recuperadas.

Fomos para eleições, ilegais do meu ponto de vista, onde foi eleito o CD eleito, apesar de não ter o maior número de votantes, teve o maior número de votos.

As “eleições” foram participadas e os sócios votaram em consciência! E a possibilidade de escolha abundante.

6 meses depois deste CD iniciar funções já assisti a tudo um pouco por parte desta Direcção. Mentiras, enganos, falhas clamorosas de comunicação e grande incompetência para governar, de forma eficiente, este Clube, quer financeira quer desportivamente.

Os tiros nos pés sucedem-se e a “gestão silenciosa” tem afastado a Direcção dos Sócios, através de uma gestão da comunicação sofrível e em todos os seus aspectos incompetente.

Quase como se o seu objectivo fosse esse mesmo… Afastar os Sportinguistas do Clube.

E como a nossa “bipolaridade” é sobeja e mundialmente conhecida, já andamos a falar em correr com estes e eleger sei lá quem…

Todo o processo que levou à destituição de uns e à eleição destes, com uma CG pelo meio, enfraqueceu o Clube perante os seus congéneres da Primeira Liga, deixando-nos à mercê destas faltas de respeito que são visíveis nas reclamações, dos adversários, contra as supostas ajudas para ganhar e na forma como a Direcção se permite ser tratada pelas outras direcções. A falta de respeito é visível, mas a incapacidade para se dar ao respeito também.

A conferência de Imprensa de ontem é sintomática disso mesmo. Ao afirmar que não corta relações institucionais com os outros clubes, está direcção está-se a encurralar e a pôr-se a jeito. E das duas uma ou mais uma vez se desmente e dá o dito pelo não dito ou continuará a ser “agredida” porque é fácil aos outros fazê-lo.

E ciclicamente lá vamos intercalando fases melhores, onde o clube recupera um pouco da sua mística, com as fases autodestrutivas.

O Sporting Clube de Portugal é a representação viva do conceito filosófico do Eterno Retorno, que postula

ouroboros

que o mundo se extingue em chamas para se voltar a reconstruir e voltar a acometer os mesmos actos.

A Ouroboros, serpente devorando a sua própria cauda, é um símbolo de eternidade, evolução e continuidade, ligada ao eterno retorno, apesar de parecer significar a autodestruição… Significa que um se destrói para voltar a reconstruir-se!

Estamos agora na fase das “chamas” em que a Direcção, não se consegue dar ao respeito, nem fazer com que o Clube seja respeitado. Parecemos marchar para o abismo, empurrados por uma qualquer mão invisível.

Enquanto isso a Direcção promete cada vez mais transparência mas cada vez demonstra mais opacidade e cinzentismo, que em vez de unir, está cada vez mais a separar os Sportinguistas em facções incompatíveis entre si e com visões diametral e figadalmente diferentes.

Não sei como esta fase acabará, mas seguramente que renasceremos das cinzas e voltaremos mais fortes! Porque o Sporting é eterno, de uma forma ou de outra!

Saudações Leoninas