Esta quadra natalícia é muito interessante, não só porque é uma época em que as famílias se reúnem, mas principalmente porque ao contrário do resto do ano, em que principalmente gastámos tempo preocupados com o que recebemos, durante estes dias pensamos e gastamos tempo com o que vamos dar.

Esteve bem, por isso, a Direção do Sporting ao manter a iniciativa do treino aberto aos Sócios no dia a seguir ao Natal no Estádio José Alvalade, mantendo a recolha de brinquedos numa ação de solidariedade que já se está a tornar tradição.

Também esteve bem a comunicação do Sporting ao brindar-nos com o Nani e o Coates em duas entrevistas, dando a possibilidade aos Sócios e adeptos de ficarem a saber a opinião destes jogadores.

Muito interessante o que Nani disse. Acerca da “invasão à Academia” disse que “já ninguém se lembra disso. É para esquecer, é passado”, o que é no mínimo curioso dizer isso quando ainda há poucos dias tivemos a “simulação” feita por crianças idealizada por uns quantos “iluminados” e infelizmente aceite pela Direção, para, pasme-se, transmitir uma mensagem natalícia institucional.

Nani também falou do anti jogo e das simulações de faltas e faltinhas tão useiras no nosso campeonato. De uma forma aberta Nani criticou os colegas futebolistas e fez também uma auto critica, quando comparou com o ambiente que se vive em Inglaterra na Premier League que tão bem conhece. Num país onde o corporativismo é palavra de ordem, Nani mostrou ser mais que uns “pezinhos jeitosos”.

Chamou a atenção o que disse sobre Bruno Fernandes, ao dizer que, houve pressões externas para que Bruno Fernandes rescindisse, quando não era essa a sua vontade. Mas a parte importante, na minha opinião, é quando diz que alguns futebolistas “dão tiros nos pés, pois esquecem-se que, para enriquecer no futebol, é preciso jogar à bola”, parecendo fazer um alerta a comportamentos menos éticos.

Basicamente o que Nani diz é que um futebolista primeiro tem de dar, do seu esforço, do seu talento, para depois poder receber. Nani já percebeu há muito tempo que o dinheiro não é tudo na vida e por isso diz “que não é a primeira vez que deixo dinheiro para trás”, e por duas vezes voltou à casa que o formou e lançou. Nós Sócios e adeptos sabemos disso e por isso retribuímos-lhe com respeito e admiração, por isso é que esta é a crónica do dar antes de receber.

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981

PS – O treinador do Braga também gosta de dar, para uns dá sorrisos e é mansinho, mas com outros dá uma cara feia e voz grossa, por isso o que recebe dos Sócios do Sporting não é respeito nem admiração

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