Começo esta crónica numa nota de felicidade. Estou muito contente com a vitória de ontem do Sporting, por 3-1, na dificílima deslocação a Vila do Conde, casa do Rio Ave.

Fizemos um jogo muito interessante, apresentando um futebol agradável com consistência atacante, mas ainda com alguns problemas defensivos.

Que me perdoe quem me lê mas tenho de abordar a próxima AG, mesmo sem que a convocatória tenha ainda saído.

Rogério Alves actual PMAG já confirmou publicamente que na próxima AG serão votados os recursos dos sócios suspensos e expulsos pela Comissão de Fiscalização de Henrique Monteiro.

Quem segue o Banco de Suplentes há algum tempo, sabe a “consideração” que tenho por essa Comissão.

Nomeada pelo Jaime Marta, todos os membros já haviam declarado publicamente serem contra o Conselho Directivo presidido por Bruno de Carvalho. Isenção? Equidistância? Pois…

Henrique Monteiro participou inclusive na manifestação, à frente do edifício Visconde de Alvalade, onde se exígia a a queda do Conselho Directivo e a marcação de eleições! O restante dos elementos já várias vezes tinham opinado contra BdC e a sua Direcção, de forma pública e despudorada.

Esta Comissão foi um exercício de pura antidemocraticidade bem ao nível dos tribunais sumários dos tempos da Ditadura!

Chegados aqui gostaria de dar-vos a minha visão sobre o que está em causa nesta AG de 15 de Dezembro. Sem dúvida que esta servirá para repor a justiça, numa decisão totalmente política, direccionada a proibir que Bruno de Carvalho e restantes elementos pudessem concorrer novamente a eleições e, como tal, totalmente injusta e indigna de uma organização que se quer democrática, alienando uma parte significativa dos sportinguistas, contribuindo definitivamente para o extremar de posições que hoje se vive.

No entanto, aquilo que vão ler e ouvir nos próximos tempos nada tem a ver com esta punição em si, mas sim com Alcochete, rescisões, os comportamentos, mais ou menos equilibrados de BdC!, os posts do Facebook e até da opinião pessoal de cada um sobre cada um dos que vão apresentar recurso. Mas nada disso interessa!

O que está em causa não é nada disso! Tem somente a ver com a nomeação da CTMAG /CTF por parte do CD e se isto é ou não um atropelo aos estatutos!

Na altura foram apresentados dois pareceres que justificavam e fundamentavam a posição tomada pelo CD, pareceres esses que foram completamente ignorados pela CF. Além do mais, quem percebe um pouco de direito sabe que no caso de estatutos omissos se recorrer à lei exactamente superior para tentar resolver as omissões!

Relembro que o que estava aqui em causa era somente um atropelo grosseiro, por parte de JMS, da sua principal função enquanto PMAG, ou seja a sua equidistância e o dever de representação de TODOS os Sócios do Sporting Clube de Portugal, entre os quais se incluíam os membros do CD.

Nada protege a nossa associação para um atropelo destes e o do PMAG foi monstruoso. Face a isto, foram tomada as medidas necessárias, para resolver a omissão em que o JMS deixou o clube.

Assim, e nesta perspectiva, será justo punir o antigo CD e os membros da CTMAG/CTF por terem tentado resolver esta questão? Puni-los quando o que fizeram, no breve momento em que tiveram a MAG, foi marcar eleições para os dois órgãos demissionários, repondo assim a normalidade associativa e devolvendo a palavra aos sócios?

E isto já para não falar de que foi uma comissão nomeada que decidiu os castigos e não o Conselho Fiscal e Disciplinar, eleito pelos sócios, que até hoje não entendo porque não se manteve em funções, como indicam os estatutos, até haverem eleições.

Não creio que isolando todas as questões acessórias e focando-nos somente na questão do “atropelo” estatutário, onde não houve sequer manifesta má-fé, que as sanções impostas pareçam razoáveis ou sequer aceitáveis.

Foi também notório que todos os processo levantados contra o JMS e membros da Mesa foram todos diligentemente arquivados pela CF do Monteiro.

Além disso, lembremo-nos que estes casos fazem jurisprudência e como tal, já existem alguns atropelos estatutários nesta Direcção, tal como a questão da Leitura da Acta. O PMAG actual afirmou peremptoriamente que violou o artigo 11º dos nossos regulamentos, baseando-se no Código Civil para tomar essa decisão, ou seja, recorrendo ao mesmo tipo de argumento que valeu estas suspensões e expulsões!

Em conclusão, irei participar na próxima AG e votarei favoravelmente os recursos aí apresentados porque acredito que os sancionados o foram, num processo nada transparente, nada democrático, de forma ilegítima e injusta, por uma comissão fabricada para esse efeito. E esta não pode ser a forma como as coisas se fazem no Sporting Clube de Portugal.