Hoje será o último dia para subscrever as obrigações Sporting SAD 2018-2021. Nunca se falou tanto de um Empréstimo Obrigacionista, parecendo até que é coisa rara e que só o Sporting é que recorre a este instrumento de financiamento “pois está à rasca”, “sem dinheiro” e vai daí tem que fazer estas “coisas esquisitas”.

Nada de mais falacioso. De facto, o Sporting é o Clube que menos recorre a este instrumento de financiamento, como se pode ver pela imagem que retirei deste post d’O Artista do Dia. Embora seja de abril de 2018, dá uma ideia da diferença entre os 3 grandes. Em junho e julho deste ano, quer o rival de Lisboa, quer do rival do Porto, fizeram novas emissões não tendo baixado a exposição a este instrumento.

Evolução dos empréstimos obrigacionistas

E o que é afinal um Empréstimo Obrigacionista, para que serve e porquê recorrer-se a esta fonte de financiamento?

Basicamente uma Entidade, que pode ser uma empresa ou por exemplo o Estado, emite dívida, e alguém individualmente, ou uma instituição financeira ou não financeira – pode ser um fundo de pensões, ou uma empresa que tenha excesso de dinheiro em caixa e queira aplicar esse dinheiro – compra essa dívida. Em troca dessa compra a entidade emissora pagará um juro periodicamente – anual ou semestralmente – e no fim do prazo devolve o capital.

Tipicamente recorre-se a este instrumento para baixar o custo de financiamento, ou seja, o juro que se paga a quem empresta terá que ser menor do que o que se pagaria a um banco, isto caso o banco estivesse disposto a emprestar esse dinheiro. Por outro lado, o investidor compra esta dívida pois é remunerado acima do que um depósito a prazo lhe paga e por isso sente-se atraído para comprar as obrigações.

É pelo juro prometido que a relação da oferta e da procura se dá. Se o juro for considerado atrativo, para o nível de risco, da empresa emitente, por certo haverá muita procura, acima da oferta. Pelo contrário se o juro não for considerado atrativo, dado o risco, a procura situar-se-á abaixo da oferta.

O conceito de risco é muito importante em tudo o que é o mundo financeiro. Portugal tem mais risco que a Alemanha, por isso o estado português paga mais juro que o estado alemão nas suas obrigações do tesouro. Quando o risco é demasiado elevado, então não aparece ninguém para comprar ou aparecem poucos investidores, pois não há juro suficientemente atrativo para tanto risco. No mundo da finança não há cá lugar a sentimentalismos, é o vil metal que conta, e a credibilidade.

Ora, o que tem acontecido nos últimos meses no Sporting? Dias e dias seguidos, mês após mês, de ditos Sportinguistas, a juntarem a sua voz a adeptos e interesses adversários, atacando profundamente a gestão dos últimos 5 anos, arrastando a credibilidade do clube para a lama.

peristecmtv

Numa tentativa desesperada para limpar a imagem que tantos sujaram, temos assistido a diversas entrevistas de Francisco Salgado Zenha e de Miguel Cal, para assegurarem que o “drama e horror” afinal não passam de boatos. Felizmente está a dar resultado e os investidores estão a reagir, tendo ontem sido ultrapassada a barreira mínima e portanto garantida a emissão, mas infeliz e dificilmente, pela primeira vez um empréstimo obrigacionista ficará por subscrever na sua totalidade.

Esta calma e confiança transmitida por Francisco Salgado Zenha não é nada que já não suspeitássemos, pois, todos os números dos exercícios anteriores foram melhorando como podemos ver neste post d’O Artista do Dia, do qual retirei a imagem.

Contas - receitas operacionais

Na ânsia de criticar tudo o que está relacionado com a anterior direção, os tais ditos Sportinguistas que dia após dia, pululam pelos canais de TV, estão na realidade a queimar a credibilidade do Sporting, logo a aumentar o risco percebido pelos investidores, e a “lixar” o Sporting. Mas para esses ditos Sportinguistas, o que interessa é o seu desejo de vingança ser preenchido. Eles querem lá saber do Sporting.

Perante este cenário Frederico Varandas teve que fazer um apelo à moda da “operação coração”, sendo obrigado a deixar a postura institucional, para fazer o apelo emocional aos Sportinguistas para investirem nem que fossem 100 euros. Lá está o “beneficiado de ontem”, com esta fogueira de vaidades e falta de proteção do bom nome do Clube, é o “prejudicado de hoje” e Frederico Varandas vendo a falta de adesão dos investidores às Obrigações, teve que fazer “telefonemas” aos sócios.

Não há quem pare para pensar no que é o bem do Sporting, nem mesmo Frederico Varandas pensou, pois deixou durante tanto tempo os canais de TV queimarem a imagem da anterior direção sem nada dizer, não percebendo que no processo, o Sporting, Clube do qual é o atual presidente, também se lixa. Em último recurso, e já com a corda no pescoço, teve que fazer um apelo, contra o seu estilo, e é por isso que esta é a crónica de uma obrigação.

Nuno Sousa – Sócio 9.575 desde agosto de 1981