QUEM CONTA UM CONTO…

«Quem conta um conto acrescenta um ponto» é uma «expressão que se utiliza para indicar que cada pessoa relata um mesmo acontecimento ou facto acrescentando pormenores da sua autoria». [in Dicionário da Língua Portuguesa 2008, da Porto Editora].

Este provérbio popular retrata na perfeição o meu assunto na crónica de hoje. Todos sabemos que uma história, quando é contada de pessoa para pessoa, sofre sempre alterações, mais ou menos substanciais.

Tal não seria grave numa conversa entre amigos, de café ou em alguma situação semelhante.

O problema é quando acontece com um jornalista/comentador sobejamente conhecido, com presença assidua em horário nobre na televisão. Aí o caso muda de figura.

Mais grave ainda, é quando esse «ponto» acrescentado altera, influencia e até mesmo muda a narrativa dos factos, criando uma ideia na mente das pessoas, como se de uma verdade absoluta se tratasse. A maior parte das pessoas pensa «Então, se ele diz na TV, é porque é verdade!». Ou «se vem no jornal, é porque foi mesmo assim».

A pessoa em questão é Rui Santos que, no seu programa Tempo Extra na Sic Notícias, afirmou o seguinte:

Temos assim Rui Santos, não uma, não duas mas sim TRÊS vezes a salientar que Bruno de Carvalho perguntou, na reunião, se as pessoas estariam com ele, independentemente do que se passasse AMANHÃ (dia do ataque). Rematando com um «E portanto, isto aqui pressupõe algum conhecimento daquilo que viria a acontecer».

Vejamos então o que está no despacho da acusação do Ministério Público

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Por aqui se comprova, como o acrescentar da palavra «AMANHû muda todo o sentido que se quer dar à narrativa, fazendo querer que BdC já teria conhecimento do que se iria passar.

E eu pergunto… Como é possível? Como é possível, que uma pessoa que quase todos os dias intervém na televisão, afirme uma coisa destas, sem provas? Citando fontes? A culpa não é dele, é das fontes que o levaram ao engano? E o que é feito da presunção da inocência?

Mais: As afirmações são espalhadas pelos vários sites de notícias e portais, reforçando a ideia que BdC disse o que disse, porque já sabia o que ia acontecer no dia seguinte, quando o contexto tinha tudo a ver com a não permanência de Jorge Jesus como treinador.

Adenda: olhemos para a última frase das declarações de BdC que constam no auto: «convocando uma reunião para estarem presentes na Academia de Alcochete às 16:00h do dia seguinte».

Pensem comigo: Então o presidente, segundo estas teorias loucas do MP, trata de tudo para a invasão da Academia e marca uma reunião para o dia seguinte à mesma hora? Com que intenção? Para se habilitar a levar um sopapo? Acreditam mesmo nisto?!

Voltando a Rui Santos, no final do vídeo, a jornalista, questiona-o sobre como viu a ida de Bruno de Carvalho ao DIAP para prestar declarações.

Resposta: «Eu acho que isso foi claramente com a intenção de gerar algum desconforto no Ministério Público».

Se isto não revela um julgamento de carácter em praça pública e uma má-fé extraordinária, não sei o que revelará.

E é assim, que desta forma, se deturpa algo e se molda a opinião das pessoas que, cada vez mais, têm menos sentido crítico e capacidade para se interrogar da verdadeira natureza dos factos. E pouca hipótese têm disso. Do universo Sportinguista, quantas pessoas devem ter lido o despacho da acusação? A CS sei que leu toda mas repor verdades ou desfazer equívocos é coisa que não dá tanta audiência ou vende mais.

Pouco ando pelo Facebook, mas quem me segue no Twitter sabe o que penso desde o primeiro dia: eu não acredito na narrativa que nos querem vender. Mas caso se encontrem os culpados – sejam eles quem forem – com PROVAS e não efabulações e teorias que dão jeito a algum propósito nefasto – que paguem pelo que fizeram.

Mas por favor, não inventem. Não acrescentem um ponto ao conto já por si mal contado.

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2 Comments

  1. Alfredo António Costa Loureiro Loureiro

    Enquanto estes artistas não levarem uma ensinadela, nada vai mudar. Acreditem.

  2. Neca Pinto

    Infelizmente, indivíduos como esse pseudo guru do futebol, não produzem jornalismo, limitam se a emitir opinião sem qualquer contraditório, deturpando a verdade a seu bel prazer. Por seu lado, o pseudo jornalista que o acompanha apenas pretende dar uma ideia de credibilidade à coisa, mas não passa de um bibelot que ali está. Infelizmente também, a maralha engole tudo o que lhes dão como se de verdades inquestionáveis se tratassem.
    Será que não há forma de se pôr cobro a isto?

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