Desde domingo, que o circo mediático voltou às televisões. O motivo: a detenção absurda e ilegal de Bruno de Carvalho que se mantém ainda hoje (na opinião de vários juristas e da própria Ordem dos Advogados).

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Não vou falar em geral – o circo fala por si – mas de um caso em particular que me chocou ontem. Chocar, até é uma palavra simples demais, para descrever o que se passou, com o directo de uma jornalista da TVI.

Embora os acontecimentos tenham sido ontem, é anteontem que, na minha opinião, começa o ressabiamento da «douta» Carolina Resende Matos.

A profissional (?) da TVI é «encostada às boxes» por José Preto, advogado de BdC, ao fazer a pergunta mais inteligente que se lembra no momento, levando com a resposta «Essa pergunta é completamente idiota!» Não querendo ficar atrás (imaginando que desta forma conseguiria a tão desejada declaração do advogado – em «Novas Formas do Jornalismo Circense, Cap. IV»), a jornalista responde com um «É uma pergunta como tantas outras quem decide quem faz as perguntas que faço sou eu».

Como podem constatar no vídeo, foi a melhor abordagem possível para se conseguir um belo dum «furo» jornalístico…

Ora isto leva-nos ao directo de ontem. Vejam este vídeo com atenção:

Então vamos lá dissecar este tratado de conhecimento jurídico-policial-jornalístico impecável da senhora jornalista:

«Tanto BdC como Mustafá são arguidos neste processo. Estão detidos mas que ainda não privados de liberdade mas têm exatamente os mesmos direitos, os mesmos deveres, têm de ser algemados (…)»

-Então temos arguidos, mas que estão em liberdade, mas que têm deveres (?) e que têm de ser algemados. A sério? Mas onde é que isso está escrito?! Mas continua…

«Aliás, tem de ser por ordem, por regra, têm de ser algemados, transportados numa viatura policial e não se entende a diferença de não terem vindo nas carrinhas da unidade de intervenção exactamente igual a todos os outros arguidos».

-Aconselho a Carolina a ler a directiva do Parlamento Europeu de 9 de Março de 2016 que tem o objetivo claro de reforçar o princípio de presunção de inocência consagrado constitucionalmente (artigo 32º)

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Carolina continua o seu sábio discurso, desta vez em defesa da PSP, vitimizando aquela força policial e referindo uma guerra interna (?) que desta forma é descrita:

«Não foram transportados pela elite da GNR e sim por carros descaracterizados, colocando, como eu dizia há pouco, em causa aqui o trabalho feito pela PSP (…)».

-O drama, o horror. O tratamento preferencial, porque foram em carros descaraterizados colocando em causa a própria PSP! Continuando:

«E é uma situação, diria até que uma espécie de guerra interna nos últimos meses que tem acontecido porque estão feitos vários planos para a PSP no que diz respeito fora do tribunal, uma vez que a jurisdição aqui desta área é da Policia de Segurança Publica e depois lá dentro é da GNR»

-Então temos uma guerra interna há meses…Meses?! Mas já se sabia há meses que BdC e Mustafá iam ser detidos e depois ouvidos no Tribunal do Barreiro?… E que esses planos foram desfeitos devido a essa suposta guerra? Realmente, como podemos ver nesta foto, o corpo de intervenção rápida da PSP está completamente à nora, sem saber o que fazer, com a mudança de planos imposta pela GNR, num clima de guerra impressionante:

img_8035E para o remate final:

«E à última da hora a GNR pretende mudar os planos sem avisar sequer o que é que vai acontecer à PSP e também depois, como é óbvio a própria Comunicação Social tem que andar aqui de um lado para o outro ainda que, como disse, nós estamos aqui precisamente para noticiar e estávamos já a contar que estas manobras de diversão acontecessem…».

-Então temos uma mudança de planos sem avisar a PSP e a própria CS que – coitados!! – têm de andar de um lado para outro (onde já se viu!) sem saber, desnorteados! Mas calma… Afinal de contas, estamos aqui para noticiar e já estávamos a contar com estas manobras de diversão.

Resumindo:

A jornalista queria, porque queria muito muito ver Bruno de Carvalho algemado. Tinha de ser! Não está preso, mas tinha de ser algemado e mais: tinha de sair de uma carrinha identificada da GNR, passar à sua frente para ser filmado, algemado (sim, mais uma vez… A Carolina referiu sete, por isso ainda fica a ganhar) e deixar a jornalista feliz e contente por estar à espera da sua imagem «dourada» pelo menos há seis meses.

Meu deus Carolina, acho sinceramente que devia processar a GNR e quiçá o próprio Estado, por esta maldade que lhe fizeram!

Um pouco mais a sério agora: não sei se pela resposta anterior a uma pergunta «idiota» nas palavras de José Preto, se pela frustração de, em dois dias seguidos, não ter alcançado nenhum dos seus objectivos, esta jornalista demonstra o mais puro ressabiamento, tecendo uma série de comentários infelizes, adivinhatórios e imprecisos. E é este o jornalismo que temos.