A Crónica do Crime era uma série policial que passou no final dos anos 80 início dos anos 90, naquele tempo, era o tempo pré canais privados, pré televisão por cabo.

Todos víamos as mesmas séries, e às terças-feiras, durante muitos anos, esse dia era reservado às séries policiais.

Essas séries de investigação criminal/policial andavam sempre à volta de duas questões fundamentais:

  1. A quem aproveitava o crime cometido, ou seja, quem sairia beneficiado com o ato?
  2. Qual o móbil do crime, ou seja, qual a motivação para o crime ser praticado?

Agora que a TVI dá como certo que Bruno de Carvalho está indiciado por 56 crimes, entre os quais sequestro e ameaça agravada, vou fazer as perguntas a que me habituei a ver serem colocadas às terças-feiras à noite nos anos 80/90 pelos detetives, heróis dessas séries.

Partindo do pressuposto de que é verdade que Bruno de Carvalho, é “o autor moral”, o “instigador”, o “mandante do apertão”, o que beneficiaria, Bruno de Carvalho, com o ataque à Academia?

Se alguém me conseguir responder a esta pergunta agradeço-lhe muito, pois eu por mais voltas que dê, não consigo. Terá Bruno de Carvalho feito um erro de cálculo e viu um benefício que mais ninguém conseguiu ver? Não me parece, pois como sempre vimos nos filmes ou nas séries, o público simpatiza sempre com a vítima e não com o criminoso, mas posso estar errado.

Quanto à segunda pergunta, partindo do pressuposto de que é verdade que Bruno de Carvalho, é “o autor moral”, o “instigador”, o “mandante do apertão”, que motivação teria, Bruno de Carvalho, para ordenar o ataque à Academia?

Aqui, algumas pessoas serão tentadas a dizer que a motivação era forçar os jogadores a reagirem, a serem de tal forma espicaçados, que em campo dessem uma grande resposta e trouxessem a Taça de Portugal para o Museu do Sporting, e assim compensassem os Sócios e Adeptos, após o falhanço inqualificável do acesso à Liga dos Campeões.

Mas este argumento tem uma falha, pois há bem poucos dias, foram revelados SMS em que Bruno de Carvalho revelava a André Geraldes que, após o falhanço do acesso à Liga dos Campeões a vitória na final da Taça de Portugal não o compensaria em nada.

Assim sendo, espero que rapidamente se saibam as respostas a estas perguntas, sob pena de ficar a sensação que alguma peça fica a faltar neste puzzle, e que afinal os argumentistas que fazem os filmes e séries policiais insistem num erro grave, que é tentarem durante os episódios responder a estas duas questões, mas pelos vistos, estas perguntas não precisarem de ser respondidas para alguém ser acusado, e por isso esta é a Crónica do Crime.

P.S. – Será que ao longo da história sempre que um casal, ou um par de namorados, ou amantes, tenham cometido suicídio, poderemos argumentar que Shakespeare por causa de Romeo e Julieta foi o “autor moral” desse ato?

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981