Finalmente o Sporting Clube de Portugal confirmou Marcel Keiser como o seu treinador.

E como se trata do Sporting, este anúncio não podia ser um acontecimento normal… Não! A SAD comunicou à CMVM a sua contratação horas antes do início do jogo contra o Arsenal, em Londres, para a Liga Europa.

A crónica de hoje não vai ser sobre o futuro treinador do Sporting Clube de Portugal, mas sim do actual, Tiago Fernandes.

mw-320.jpgO actual treinador interino, filho da “lenda” Sportinguista Manuel Fernandes, entrou para o Sporting em 2011/2012 e foi treinador dos iniciados, treinador dos sub-19 onde se sagrou campeão na época 2016//2017 e finalmente foi promovido a treinador-adjunto do Josepe Seiro.

Com a saída deste último, foi convidado a assumir a equipa principal interinamente até que o novo treinador fosse contratado.

Confesso que conhecia mal o Tiago e portanto, não tinha uma ideia muito aprofundada acerca das suas capacidades enquanto treinador de futebol.

E assim chegamos ao seu primeiro jogo, frente ao Santa Clara, equipa de São Miguel, este ano regressada à primeira liga e a fazer um campeonato muito interessante. Chegava a este jogo com o SCP vinda de 4 vitórias seguidas.

O Sporting por seu lado, vinha de uma derrota com o Estoril para a Taça da Liga, derrota essa que definiu o destino de Josepe Seiro. A rua!

Foi por isso com expectativa que todos os Sportinguistas encararam o jogo com o Santa Clara.

Se por um lado, nos tínhamos visto livres do pior “treinador” que passou por Alvalade (isto é na minha modesta opinião) e portanto, ansiosos para ver como a equipa reagia, por outro havia algum medo por irmos defrontar o Santa Clara (quando começamos a ter receio do Santa Clara, algo vai muito mal no SCP!).

Para este jogo Tiago Fernandes resolveu fazer alterações: pôs a equipa em 4-4-2, colocou Lumor como defesa esquerdo (em substituição de um Jefferson cada vez mais irreconhecível), subiu o Acuña para extremo esquerdo e fez alinhar o Diaby ao lado do Dost, desarmando o duplo pivot defensivo, sentando Gudelj, deixando Battaglia no 11 como 6.

Ganhámos o jogo com alguma sorte e pouco futebol, mas ainda assim, muito mais do que aquele que a equipa havia produzido, até então, nos últimos jogos.

O PRIMEIRO PECADO

Mas Tiago Fernandes cometeu, do meu ponto de vista, o seu primeiro pecado: colocar em campo Diaby em vez de Montero.

Em primeiro lugar já se percebeu que Diaby é um extremo e não um avançado, ou até mesmo um falso avançado. E em segundo, tirou da equipa Montero que estava a dar muito jogo, perdendo uma clara oportunidade de testar a dupla Montero/Dost. Um como falso avançado e outro como ponta de lança mais posicional.

naom_5b07365152531.jpgGanhámos 1-2 com reviravolta no marcador, sendo que beneficiámos de uma expulsão e de um penálti. A espaços conseguimos encadear algumas boas jogadas, mais por inspiração individual do que por performance colectiva.

Começou aí o exaltamento da figura de Tiago Fernandes. Passou a ser um heroi para muitos sportinguistas.

Por essa altura, a imprensa revelava a identidade do treinador escolhido por Varandas e a sua falta de CV, aliado às  peripécias que davam a entender que o Keiser não estava assim tão seguro (leiam a esta crónica da Kuka para mais pormenores) fizeram com que alguns adeptos começassem a sugerir o nome de Tiago Fernandes para substituir o anterior treinador, mas de forma permanente.

O SEGUNDO PECADO

Foi com o ambiente descrito no parágrafo anterior que chegámos ao Emirates Stadium para defrontar o Arsenal.

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Tiago Fernandes, sem Battaglia, resolve voltar ao esquema do duplo pivot defensivo com Gudelj e com Miguel Luís (esta aposta foi vista como corajosa por parte do Tiago julgo que foi mais um pecado. Seria corajosa se tivesse voltado a apostar no 442) sendo que nenhum destes dois jogadores tem rotinas de jogar 6.

Lançar um jovem como o Miguel Luis, um médio centro, que tinha 2 minutos de jogo no total, no jogo com o Arsenal é para mim um pecado. Primeiro porque facilmente se disposicionava, abrindo buracos no meio-campo. Depois porque nunca se entendeu com Gudelj, nem a atacar, nem a defender…

Por outro lado, faz alinhar o Diaby à direita com Montero sozinho na frente de ataque.

Resultado: o Arsenal com a equipa B deu-nos um banho de bola! Passámos 90 minutos a ver jogar, Tivemos 35% posse de bola e ZERO, sim leram bem, ZERO remates enquadrados com a baliza.

O melhor deste jogo? O resultado de 0-0! O pior? O futebol apresentado! Os equívocos na montagem da equipa fizeram com que, mesmo com um meio-campo povoado, nunca tivéssemos a bola, nem o controlo do jogo… Montero isolado na frente foi presa fácil para os defesas do Arsenal.

Bruno Fernandes esteve os 90 minutos a assistir ao jogo no relvado, fazendo muitas corridas, mas completamente fora do jogo. Só Coates e Mathieu fizeram um bom jogo…

O TERCEIRO PECADO

No final, Tiago Fernandes emocionado com o empate veio agradecer o apoio dos adeptos, batendo no peito e dizendo “Vamos! Com tudo!”. Estava eufórico. Estava ele e estavam os adeptos.

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E assim chegamos ao terceiro pecado. Com a atitude descrita acima, Tiago sujeita-se a ser o motivador à contestação do Keiser, se este quando entrar tiver a infelicidade de perder pontos ou, mesmo ganhado-os, não consiga a equipa a produzir bom futebol.

No próximo domingo o Sporting joga contra o Chaves em casa. É o último jogo de Tiago à frente da equipa, sendo substituído na segunda-feira seguinte pelo Keiser.

Se o SCP ganhar esse jogo (espero que bem que o ganhe), a sua imagem sai reforçada, mas a influência nos adeptos também, sendo que é de prever que Tiago integre a equipa técnica de Keiser.

Em suma, o Tiago colocou-se numa posição que pode ser insuportável para ele a breve trecho.

Por outro lado, e para finalizar, não é só o Tiago que peca. Também nós adeptos e sócios, que estamos na oposição, estamos a cair na tentação de utilizar o Tiago para fazer oposição ao Varandas e isso é o mais errado possível, porque se dois jogos não dão para avaliar as capacidades de um treinador, o Tiago com 36 anos, demonstrou que ainda tem muito que aprender.

Boa Sorte para o jogo de domingo e que a vitória nos sorria!

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