A dualidade de critério entre o tratamento dos casos de violência ligados ao futebol, mais uma vez, é muito evidente. Um critério que é abismal. Basta ver o caso mais recente que aconteceu após o jogo Benfica-Ajax e comparar a outros casos conhecidos. Porque é que há essa dualidade?

Destaco: Um grupo de adeptos encapuzados, tidos como casuals ligados ao Benfica.

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O enigma é que sempre tudo foi encoberto ou ninguém quis enfrentar o verdadeiro problema. Atacar a raiz. Sanar. Sem medos e sem clubismos. Não há coragem!

Lembro, apenas, o então presidente do IPDJ, Augusto Baganha, em 10/11/2017, quase a fazer um ano, quando disse e cito: “Não tem sido problema para a polícia” conforme pode ler aqui.

Porque também já aconteceram coisas graves, por exemplo, em Guimarães, onde um adepto do FC Porto foi espancado. O que aconteceu depois? Que medidas foram tomadas?

É o que temos internamente. Nada ou quase nada, excepto, num único caso: Alcochete!

Mas são tantos episódios que acontecem com os GOA (Grupos Organizados de Adeptos) ou com as claques  que as coisas acabam por ser ignoradas internamente, mas, por vezes, destacadas na imprensa internacional.

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Mais uma vez passou dos limites. E as imagens demonstram a irracionalidade dos actos tantas vezes ocultados por quem tem poder de acabar com esta vergonha. Todos se questionam agora sobre o paradeiro da CMTV. Onde estava?

Sabemos que há mau perder em todos os casos. E que, no caso recente, a realidade desportiva benfiquista já não é igual e que os resultados positivos não abundam. Nos últimos 4 jogos o saldo é negativo com 3 derrotas e este empate.

Mas nada justifica qualquer violência!

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A marca Benfica começa a ficar danificada a nível internacional. 5 jogos seguidos sem ganhar no estádio da Luz incomoda muita gente e provoca a ira. Mas que culpa têm os adeptos adversários? Nenhuma!

E nada justifica este vandalismo desta quarta-feira!

O pior é que, em termos nacionais, tudo é aligeirado. Não há debates sobre a violência, nem programas especiais nas televisões. Só quando envolvem o nome SPORTING CP.

Neste caso dos adeptos agredidos do Ajax não há nem comunicados dos Sindicatos. Da PSP. Nem ninguém houve uma palavra dos presidentes da CML, da FPF ou da LPFP. ZERO!

Onde é que andam todos?

Lembram-se como foram alguns episódios que metiam o Sporting CP?

Eu recordo-vos alguns:

  • Comunicado do Sindicato de Jornalistas – leia aqui
  • Declarações de Ferro Rodrigues sobre Alcochete – veja aqui
  • Declarações do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa – veja aqui

Dir-me-ão que são casos diferentes. De dimensões e consequências desiguais. Não, não e sim! Comparar este caso com o de Alcochete tem muitas semelhanças:

  • Invasão de propriedade privada
  • Violência contra terceiros de forma inesperada
  • Destruição de bens materiais

A maior diferença, sim, existe, estará no mediatismo feito por uma Comunicação Social que oculta, tanto quanto pode, os casos que envolvem o Benfica e ataca sempre o que relaciona ao Sporting! Alguém tem dúvidas?

Neste recente caso (Ajax) não há imagens da CMTV, nem debates em directo horas a fio ou as proclamadas profundas crises…

Algumas perguntas ficam no ar:

A vida humana tem mais valor se forem jogadores de futebol?

Não terá tanto valor se essa vida forem de adeptos do Ajax?

Porque não há reacções iguais do mundo da política?

Porque há reacções desiguais na Comunicação Social?

Exponho os factos que sustentam uma profunda dualidade de critério no tratamento deste fenómeno da violência das claques e dos grupos organizados de adeptos.

Uma dualidade de critério abismal.

Porquê? Até quando? Com que finalidade? E quem permite tudo isto?

As respostas, se souberem, dêem os Leitores para ajudarem a debater e a mudar o que é preciso mudar no panorama do desporto em Portugal.

Obrigado por pensarem nesta triste e perigosa realidade.

Obrigado por lerem!