Os leitores destas crónicas, principalmente os leitores assíduos, são tentados a imaginar que quem aqui escreve é um profundo conhecedor dos meandros futebolísticos que é amigo de altas figuras públicas que sabe profundamente de futebol que até sabe coisas que não pode dizer que é detentor de conhecimentos que mais ninguém detém de que sabe coisas para além do que o comum dos mortais sabe.

Em ralação a mim e falo por mim como é evidente, nada disso é verdade. Digo-o com muita clareza.

Não sei nada para além do que toda a gente sabe e é domínio público, nem me armo  em privilegiado conhecedor, porque não o sou.

Não sou amigo, nem tão pouco conhecido, de figuras públicas ou detentoras de poder. Isso aplica-se ao Bruno de Carvalho. Não somos amigos, nunca privei com ele, não o conheço pessoalmente nem ele a mim. O único contacto que tive com ele foi na entrega do meu emblema dos 50 anos de sócio, em pleno relvado de Alvalade que durou uns breves 30 segundos e nos quais tive oportunidade de lhe dizer:

  • Caro Bruno, você tirou literalmente o Sporting da merda e por isso tem um altíssimo mérito mas devo dizer-lhe que prefiro um 3º ou 4º lugar com honra, do que ser campeão com desonestidades.

Ao que ele me respondeu – Sim mas eu quero é ser campeão e vai ser já este ano.

Não fomos campeões mas também não fomos corruptos nem andámos à boleia de “gentinha influente” nem tão pouco alinhámos em chantagens de vampirescos empresários.

Posto isto, aquilo que vos escrevo, porque escrevo para vocês todos verdadeiros Sportinguistas, é apenas fruto daquilo que penso, daquilo que vejo e analiso à luz do meu Sportinguismo de nascença.

Como sempre vos tenho dito aqui desde sempre (permitam-me ser coerente), não sou deste Sporting. Actualmente para mim o Sporting não existe. Não tenho Clube, portanto tanto se me faz que “isto” a que abusivamente chamam Sporting, perca ou ganhe.

Mas não vou por aí.

Recentemente, dada a quebra não só de nível de jogo mas também de alegria de jogar futebol daqueles a que chamamos de “traidores”, porque rescindiram sem justa causa prejudicando gravemente a sua entidade patronal (o clube onde exerciam a sua actividade), sou levado a pensar que há mais qualquer coisa para além daquilo que foi tornado público.

Vejamos os acontecimentos desta forma fixando-nos em 3 atletas:

Bas Dost
Sempre demonstrou ser um homem com personalidade. Sempre disse que estava bem e feliz no nosso clube, como antes nunca tinha sido noutro. O Sporting já era a sua casa. Vibrava quando se entoava o cântico que lhe foi dedicado. Jogava com profissionalismo e alegria. E hoje? Hoje é uma sombra do era. Não se lhe vê alegria no rosto. Não joga, não faz jogar, nem sequer remata à baliza e quando o faz são remates inofensivos. Perdeu a fome de baliza.

Bruno Fernandes
O fabuloso jogador que jogava, fazia jogar e marcava golos do outro mundo, desapareceu. Este atleta já era patrão em campo. Era o nosso futuro capitão e com todo o mérito. Todos o adorávamos. Zangava-se quando algum colega fazia asneiras e “quase” os ensinava a jogar bem, corrigindo-os. Era o nosso “menino de ouro”. Nunca mais ninguém no seu rosto lhe viu um sorriso, uma expressão de alegria, nem a atitude responsável em campo que demonstrava.

Rodrigo Battaglia
Enfim, não se lhe reconheciam grandes dotes de jogador da bola, é verdade mas era um batalhador incansável. Um guerreiro na boa acepção da palavra. Em plena crise declarou que não rescindia com o Sporting, estava bem, sentia-se bem no clube e ia regressar. Afinal chegou e rescindiu… Esse batalhador também se esfumou. Ninguém sabe dele. A alegria de jogar também se esfumou.

Resumindo:
Vontade de jogar, alegria, boas jogadas como faziam antes, pura e simplesmente não existem actualmente. Porquê?
Perante tudo isto, sou como disse atrás, levado a pensar que há mais qualquer coisa para além daquilo que foi tornado público.
Por muito absurdo que pareça e quem me lê há-de pensar que endoideci (mas acreditem que estou no pleno uso das minhas faculdades mentais), tenho esta teoria “da conspiração”:
Antes este pequeno preâmbulo:

Não se esqueçam que os jogadores de futebol que somos levados a pensar que são homens feitos, com personalidade forte e perspicazes o suficiente, para analisarem o que se passa à sua volta e tomarem boas decisões, na verdade não o são. São putos. São miúdos facilmente manipuláveis (Talvez alguns até sejam meninos mimados como o Bruno lhes chamou). São facilmente vitimas de ameaças por parte de quem vive no mafioso mundo do futebol e não faz mais nada do que explorar essa inocência. Como se diz em bom português: “sabem-na toda”. É o seu ofício. Essa manipulação é a sua mina de ouro. São lobos com pele de cordeiro. Os atletas imaginam sempre que essa gente lhes defende os direitos, até chegarem à conclusão que não mas já é demasiado tarde! já foram “comidos”.

Agora a teoria.
Serei breve e deixo sem comentários à vossa consideração:
Não me custa acreditar que esses atletas tenham sido levados a rescindir com o Sporting, uma forma criminosa. Arranjaram argumentos para convencer (enganar) os atletas mas o único objecto era derrubar Bruno de Carvalho. Os atletas rescindiram.
Derrubado Bruno de Carvalho, havia que repor a situação. Os atletas tinham que voltar ao clube. Com fazer isso? Ameaçando, convencendo pelo medo:

  • Malta, vocês estão sem clube, ninguém vos pega nestas condições de incertezas. Para além disso correm acções em tribunal e vocês perdem. Serão obrigados a pagar a vossa clausula de rescisão. Se voltarem prometo-vos estabilidade, segurança e uma compensação por fora. Sem o Bruno de Carvalho tudo vai ser mais simples. Agora a decisão é vossa.

E pronto, perante um cenário catastrófico para os atletas, foi fácil o regresso.
O resultado está à vista.
Fraca qualidade de jogo. Falta de entrega. Falta de alegria.
Viu-se por exemplo a reacção (ou a falta dela) do Bruno Fernandes, neste jogo com o Estoril, quando o sinistro Peseiro chamou de filho da puta ao miúdo Wendel. Bruno Fernandes alheou-se da cena e acho que deve ter ficado com vontade de ir às trombas do pseudo treinador.

Portanto é isto.
Este clube não é o Sporting. Eu não sou deste Clube. Eu não quero este clube a continuar a usar o nome sagrado de SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.

Até para a semana
Sejam felizes!