“E se de repente um desconhecido lhe oferecer flores, isso é Impulse”

Quem não se lembra deste spot publicitário dos anos 80? Talvez os leitores mais novos, mas eu que cresci nos anos 80 e lembro-me bem.

impulse

Uma mensagem para ser “passada” para o público tem que ser repetida um sem número de vezes, para que os consumidores se recordem da marca, do produto ou do serviço publicitado, para que no momento da compra haja aquele fator de confiança, de familiaridade, que torna a decisão mais fácil para o comprador e favorável a quem comunicou.

No fundo, sempre que tomámos uma decisão de compra estamos a fazer uma escolha, escolhemos a marca A em vez da B, como se de uma eleição se tratasse.

Algumas marcas, em algum momento, tiveram a “sorte” de fazer um spot que fica na memória, como é o caso da que referi logo de início, seja porque destaca-se de todos os demais devido à imagem forte e marcante, seja pelo jingle, seja pela “assinatura”.

Na minha memória ficará, também, a última da assembleia geral da Sporting SAD realizada no dia 26 de outubro. Neste caso, não a recordarei pela mensagem, ou pela imagem passada ter transmitido força, mas sim pelo jingle que foi repetido várias vezes.

Devem neste momento estar a pensar: “mas que raio está o Nuno a dizer? Houve quem cantasse um jingle durante a AG?” Não, ninguém cantou um jingle, mas lá que parecia um refrão repetido vezes sem conta, parecia.

Foram 6 os pontos colocados à votação dos Acionistas, e sempre que era dada voz ao proponente, sendo que neste caso estamos a falar de Frederico Varandas, este repetia o refrão “a proposta é auto explicativa”.

Ora, para quem queria “vender” o seu produto, obtendo o voto favorável dos Acionistas presentes, pareceu-me muito pouco conteúdo, para matéria tão importante.

Se Frederico Varandas estivesse numa prateleira de uma loja, com aquela forma de vender a sua ideia, de certeza que seria na prateleira que continuaria. As empresas publicitam os seus produtos porque nada é “auto explicativo”. Frederico Varandas devia de transmitir as suas ideias, as razões das suas escolhas e não referir-se a estas, como sendo “auto explicativas”, chutando para canto as explicações e as perguntas dos Acionistas.

Algumas empresas quando estavam “lá em cima”, no topo do mundo, tiveram este tipo de atitude, algumas gigantes como a Nokia ou a Kodak pensaram que as suas propostas eram “auto explicativas” e que não precisavam de responder às necessidades dos seus clientes.

Em minha opinião as perguntas de Sócios ou de Acionistas, ou as próprias propostas da Direção, devem ser explicadas exaustivamente, pois cada Sócio ou Acionista merece todo o respeito, mas parece que para Frederico Varandas não. Eu pelo menos tentei explicar porque é que dei o nome de “crónica auto explicativa”.

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde agosto de 1981