Antes de mais nada importa referir que fomos educados para obedecer ao mais forte sem qualquer análise critica.

Fomos educados para concordar, apoiar, servir todos aqueles que se estabeleceu que são “superiores”.

Fomos educados para obedecer mesmo que para isso tenha que se fingir que se concorda, até porque se não se concordar sofrem-se as consequências.

Em família, na escola, na vida militar, na vida profissional. e se não se obedecer o castigo é certo. Uma tareia, uma nota escolar negativa com perda de ano, castigo e até mesmo prisão, despromoção, não promoção ou perda de salário. Mesmo que esse castigo não exista, existe o seu fantasma o que vai dar no mesmo.

Não concordar com aqueles que nos são impostos como “superiores” é um comportamento grave e mal aceite na sociedade, por outro lado concordar é estar do lado “deles” e esperar por algumas migalhas.

No fundo temos admiração pelos seres privilegiados que detêm o poder e até nos humilhamos perante eles. Sua Excelência, Senhor Engenheiro, Senhor Doutor… Por isso votamos em ladrões e corruptos

Porque eles são “superiores”. Porque eles sabem o que fazem.

Curiosamente quanto mais esses seres “superiores” se distanciam da “plebe”, se isolam, não dão confiança e mostram um ar solene e grave mais são respeitados. Parece que a razão é directamente proporcional à antipatia e à má educação.

O fenómeno social de rejeição de quem quer romper com este “equilíbrio” é uma realidade. Quem se atreve a pôr em causa os ditos “superiores” que com as armas poderosas da ignorância sempre nos cilindraram e nos roubaram a vida é imediatamente enxovalhado, desacreditado e combatido muitas vezes até à morte.

Estar de bem com o poder parece ser um macabro objectivo e nada há a fazer.
Viver no mar da ignorância e imaginar que se vive no melhor dos mundos parece ser a maneira mais cómoda e que dá menos chatices. Lutar pela razão dá muito trabalho.

Razão tem o meu grande amigo Arquimedes da Silva Santos, Poeta do Neorealismo nascido em 1921, quando desde sempre defendeu a Educação pela Cultura. Um povo inculto e que nada faz para se cultivar é fácil de dominar. Todos os ditadores sabem isso e é assim que dominam.

A solução para mudar essa maneira subserviente de estar na vida é ler bons livros, ver bons filmes, ver boas peças de teatro, visitar museus, conversar, conversar, conversar…

Até lá vamos continuar a assistir
às vitorias esmagadores de ditadores, ladrões e corruptos
e vamos deixar que se pavoneiem na mais completa impunidade.

©ArthurSantos