A propósito da minha última crónica, a mesma foi agraciada com um comentário de um leitor atento e assíduo, que simpaticamente, entre outras coisas, me mandou «arranjar um trabalho, porque de Sporting» não percebo nada».

Sou forçada a concordar com tão informado leitor. De facto, deste Sporting, eu não sei nem entendo nada. E passo a explicar porquê.

Não entendo, como de um momento para o outro, a transparência deixou de fazer sentido, a quem, noutros tempos não tão longínquos assim, era uma exigência absoluta.

Não entendo porque não saiu a convocatória da Assembleia Geral no Jornal do Sporting, tal como obrigam os estatutos. Então não são os estatutos a espinha dorsal do clube? O incumprimento dos estatutos não dá direito a destituição?… Pelas minhas contas, seria a 20/9 que teria de constar a convocatória da AG de aprovação das contas do Clube, do exercício 2017/2018. Mas lá está, se calhar, sou mesmo eu que não percebo nada disto.

Também tive algumas dificuldades em entender a comunicação à CMVM dos movimentos de mercado da janela deste verão, com os devidos encargos. Já deu para ver que alguns negócios não têm pé nem cabeça. Para mim claro, que não sei nada disto. Não vi os novos contratos e/ou condições dos jogadores que rescindiram e depois voltaram. Não consegui vislumbrar as cláusulas dos empréstimos internacionais. Informação incompleta, que gera dúvidas. Mas se antigamente se falava demais, hoje o silêncio impera.

Impera, mas não para todos. Tema fracturante da semana: a conferência de imprensa de José Peseiro. Para alguns, foi perfeitamente normal Peseiro vir a público fazer questão de dizer que «o Nani teve um comportamento inadequado e reprovável». Para mim, não é normal que um treinador venha falar desta forma, daquele que é o capitão da equipa. Principalmente num dia em que estala a polémica sobre o assunto «Jonas/Rui Vitória» e a saga das contas pirateadas. No dia seguinte ao rival empatar um jogo.

Então voltamos a virar o foco para nós? Onde andam os defensores de que estas coisas se tratam internamente?…Não seria tão fácil ao treinador responder «Estes assuntos são do foro interno e assim serão tratados»?

Será que estou esquecida, ou ainda há bem pouco tempo, este tipo de atitudes eram severamente condenadas por meio mundo Sportinguista? Se Nani pediu desculpa, como foi referido, qual a necessidade de voltar a falar do assunto? Se foi castigado com multa (como se leu) e não foi convocado (como se viu), porquê alimentar a questão? Qual o objectivo?

Voltando aos silêncios e sim, sei que já falei sobre isto. Continuo à espera que o presidente do meu Clube venha contar tudo o que sabe sobre o campeonato 2015/2016, a fim de repor a verdade desportiva, tal como prometido em campanha. Isto não é importante saber? Não estão interessados?!

Para terminar, um silêncio incompreensível que durou mais de 24 horas: o jogador do Sporting Rafael Barbosa foi agredido pelo presidente da SAD do clube algarvio. As palavras que surgem em defesa do nosso jogador são escritas em comunicado lançado domingo, às 23h. Uma situação grave como esta merecia condenação imediata do presidente, em horário nobre.

Mais uma atitude, no meio de tantas outras que não consigo entender. Antigamente falava-se demais? Pois agora simplesmente não se abre a boca. Nada como jogar pelo seguro e seguir o velho ditado popular: mais vale manter a boca fechada.

Desta forma não entra mosca nem sai o que não deve. Creio que a estratégia, neste momento, deve passar mais pela segunda hipótese, uma vez que a oralidade não é, de facto, um ponto a favor do actual presidente.

Mas devo ser só eu a estranhar, que só sei que nada sei, deste novo Sporting.