Quero começar esta carta por pedir-lhe humildemente que me perdoe! É mais forte do que eu… Mas eu não consigo gostar de si.

Sim, eu sei que é por pura embirração, ou talvez porque imagino coisas… Porque o Sportinguista que tenha vivido intensamente os últimos anos do nosso clube, desconfia até da própria sombra, quanto mais das dos outros…

Com toda a “informação” e contra-informação que se assistiu, e que pelos vistos se continua a assistir, creio que qualquer Sportinguista que se preze já pode ser considerado paranóico… Saltamos à primeira notícia que vimos, estando constantemente a morrer de medo que estas se confirmem… Parecemos os gauleses, nos livros do Astérix, que apesar de detentores da poção mágica da força, viviam apavorados que o céu lhes caísse na cabeça.

Perdemos o discernimento! Perdemos a fé nos nossos… Pior… Já nem sabemos quem são os nossos! Quem são aqueles com quem nos identificamos…

Nos dias que correm parece haver uma pletora de Sportings e todos eles incompatíveis entre si. E nós, os de cada facção, batemos no peito reclamando para nós, e perante os outros, o verdadeiro, e derradeiro, Espírito do Leão! Verdadeiros “herdeiros” de algo que, parece-me, é particular e não generalizável.

Talvez por este motivo, não exista, nem haverá tão cedo, União entre os Sócios e adeptos do Sporting Clube de Portugal. E pedir essa União, soa mais, a muitos de nós, como uma provocação do que um verdadeiro apelo à paz!

Mas voltando ao meu pedido de desculpa…

Não votei em si. Aliás, a bem-dizer não votei em ninguém! E não pense que tomei esta decisão de ânimo leve! Ou que simplesmente nesse dia não me apeteceu incomodar-me em ir a Alvalade votar. Não…

Confesso-lhe que foi a primeira vez na minha vida que me abstive voluntariamente… E fi-lo porque foi a única forma de não validar essas eleições que, considero ilegais, de onde o senhor saiu, ilegitimamente, Presidente do meu clube!

Foi um dia negro em todos os sentidos. Foi-o porque tive de me abster, foi-o porque o senhor as ganhou, Mas foi-o sobretudo porque nesse dia tive consciência da pouca importância que a democracia e a defesa desta, tem para uma larga faixa de associados do meu clube. Espero sinceramente que este tipo aceitação passiva deste género de processos só seja aceitável em termos do clube…

Perdoe-me  mas não consigo confiar em si. Não consigo confiar na sua imagem, que provavelmente é errada. Não consigo confiar em quem o acompanha, porque para mim representam um passado hediondo, se calhar quase tão hediondo como o ataque terrorista à Academia… Um passado cheio de muito pouco Sportinguismo e aproveitamento pessoal dos recursos do Clube! Um passado onde claramente quem perdeu foi o Sporting, que quase acabava com ele, tal foi o estado em que essa gente o deixou… E ainda se dizem Sportinguistas… E ainda se arrogam de dizer quem é ou deixa de ser Sportinguista!

Estes senhores que o acompanham são tão opacos e insidiosos que o aconselho a estar muito atento, senão roubam-lhe as calças sem que dê por ela. Fazem de si um boneco nas suas mãos (esta é a imagem, infelizmente, que tenho de si).

Por isso quero-lhe pedir perdão por não ser capaz de o ver como meu Presidente. Quero pedir-lhe perdão por não o defender e por estar, a partir de hoje, hiper vigilante a tudo o que fizer, opondo-me frontalmente a tudo o que achar prejudicial ao Sporting!

Mas uma coisa também pode contar a partir de hoje. Apesar da minha frontal oposição, não lhe farei o mesmo que fizeram ao último Presidente. Serei frontal e directo na minha oposição, mas não entrarei nos joguinhos de assassinato de carácter!

Seja mau ou bom, o senhor tem a sua dignidade enquanto ser humano e não serei eu, a partir de hoje, que a porei em causa.

Não sei se irá durar muito ou pouco tempo como Presidente do meu Clube. Mas no tempo que o for, poderá contar da minha parte uma oposição feroz e directa, mas honrada, saibam os senhores honrar e respeitar quem não concordar com as vossas posições.

Talvez no final disto tudo o senhor me faça mudar de ideias em relação a si e nesse dia, serei o primeiro a ir ter consigo e dizer-lhe que eu estava enganado a seu respeito.

Ou talvez não chegue a ter tempo de me provar que eu estava enganado, porque a Justiça repôs a legitimidade e a legalidade Institucional. Se assim acontecer, desse dia em diante, espero da sua parte uma oposição frontal e feroz, mas honrada e respeitosa, como aquela que da minha parte terá até essa tão ansiado dia.

Até lá perdoe-me.

Saudações Leoninas