“Todas as generalizações são falsas, incluindo esta”, Mark Twain

Quantas vezes não exageramos, generalizamos, hiperbolizamos, no fundo tomamos a parte pelo todo?

Há cerca de 4 meses, foi usado e levado ao exagero, um chavão – mais um – pelos órgãos de comunicação social, acerca do que aconteceu em Alcochete.

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O que foi dito quando Ayrton Senna da Silva teve o acidente fatal? – estava a ver em direto e lembro-me como se fosse hoje, e nunca mais vi um grande prémio de F1.

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Outros lembrar-se-ao, mas a comunicação social não se lembra, do dia em que Rui Mendes foi assassinado, com um very-light, pelas claques do clube rival, em pleno Estádio Nacional na Final da Taça de Portugal – Eu estava lá, uns 20 metros acima, e sim foi um dia muito negro.

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Mas houve mais “dias mais negros” na vida do Sporting Clube de Portugal, e é bom relembrá-los, pois a comunicação social prefere “esquece-los”:

  • A queda de adeptos do varandim no Sporting-Porto da década de 90 com vários feridos e mortes.
  • A pré-falência em 2012 e 2013 com a equipa a 2 pontos da linha de água em março tendo acabado em 7º e fora das competições europeias com cerca de 20.000 adeptos nas bancadas do Estádio José Alvalade, e as modalidades a arrastarem-se pelos pavilhões, à exceção do Futsal.
  • A morte de Marco Ficcini, em 2017, às mãos de adeptos do clube rival.

Agora vou acrescentar mais uns “dias mais negros” a este rol:

  • os dias passados, desde o processo que levou à AG de dia 23 de junho,
  • os dias das Comissões nomeadas,
  • os dias com Jaime Marta Soares a fazer os números televisivos do “demiti-me, mas não entreguei”

No entanto, o principal, o “dia mais negro” destes últimos meses, foi em minha opinião, o dia do último derby. A presença de 3 sorridentes “dirigentes” do Sporting Clube de Portugal na tribuna do rival. Eram mais que os próprios dirigentes do clube visitado! Presidente do clube rival? Nem vê-lo! Presidente da MAG do rival? Nem vê-lo.

 

Foi um soco no orgulho Sportinguista, tão dificilmente recuperado nestes últimos anos. Pareceu-me mesmo um desafiar dos Sócios e Adeptos Sportinguistas, um espezinhar, um afirmar de que “nós fazemos o que queremos e vocês não têm hipótese nenhuma”.

Isto num tempo em que as evidências se vão acumulando, que muito provavelmente, o rival, tem “mexido os cordelinhos” para que não tenhamos ido nos últimos anos festejar ao Marquês de Pombal, ou à Rotunda da Boavista. Já para não falar das mortes, às mãos de adeptos rivais, sem uma palavra de condenação por parte dos dirigentes do clube rival.cintrabtv

Com essa alegada conduta de “mexer os cordelinhos” fora do terreno de jogo, além dos prejuízos financeiros provocados, terão impedido que tantas, e tantas, famílias tenham tido o prazer de festejar vitórias em Campeonatos. Tantos pais e filhos ainda não tiveram essa possibilidade. Eu ainda não festejei com o meu filho, a Sara ainda não festejou com a Mariana, o Pedro ainda não festejou com a Francisca… e quantos avós partiram sem tirar “aquela foto” com os seus netos ao colo e o cachecol de campeão, que um dia mais tarde, já crescidos farão os netos recordar com saudade aqueles que já partiram?

Mas os “nossos dirigentes” por lá andavam na tribuna – seu habitat natural – felizes, a desprezarem anos de história. Como se não bastasse ainda deram entrevistas ao canal de TV do rival, isto enquanto recebiam “salvas de prata” e é por isto que digo que esta é uma crónica sobre os dias mais negros.

Abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0, desde agosto de 1981