O Banco de Suplentes nasceu a dia 1 de Agosto, nesse mesmo dia, sabemos hoje, foi o Sporting Clube de Portugal citado por um Juiz, Juiz esse que está a apreciar a AG de dia 23 de Junho, tendo essa citação imediatamente travado todo e qualquer efeito da AG – neste caso a destituição do CD presidido por Bruno de Carvalho – até ser tomada uma decisão em 1ª instância. Uma decisão em 1ª instância levar-nos-á lá para meados do próximo ano, diria eu.

Mas se tivesse nascido a dia 2 de Agosto, seria o dia, em que se soube, por decreto da Comissão de Fiscalização, que todos os elementos do CD estavam suspensos, exceto um. A sequência de dia 1 de Agosto e dia 2, não deverá ser mera coincidência, em minha opinião.

E poderia estar aqui a desfiar o novelo e chegaríamos facilmente ao dia de hoje, sem que um só dia ficasse por preencher. Uma luta diária, em que se tenta colocar o Sporting Clube de Portugal nos eixos da legalidade e da legitimidade democrática, num país que se quer avançado e na linha da frente da União Europeia, e não no caminho que se está atualmente a percorrer, o caminho de uma qualquer ditadura ao estilo da América do Sul dos anos 70 e 80.

Mas, hoje dia de estreia neste blog, vou deter-me no dia 10 de Agosto, uma sexta-feira, em que Afonso Pinto Coelho e eu próprio, entregámos a Jaime Marta Soares, um requerimento para um pedido de uma AG Extraordinária para se apreciarem as suspensões decretadas pelos comissários fiscalizadores. É bom relembrar que o referido decreto diz que a suspensão tem recurso para AG de Sócios. Passaram-se 19 dias, 19 longos dias. Não há resposta, nem uma só resposta, nem um “ai” nem um “ui”.

Assim que se soube do decreto da suspensão e da sua possibilidade de recurso, um conjunto alargado de Sócios, daqueles que vão a todo lado, daqueles que não vão para os camarotes nem para tribunas, daqueles que vão a estádios e a pavilhões, daqueles que não dizem que têm que se preparar para fazer uma reunião, esse conjunto de Sócios, dizia eu, mobilizou-se e começou uma recolha de assinaturas.

Foi incrível, em pouco mais de 48H estavam recolhidas assinaturas correspondentes a cerca de 1.500 votos. Em pouco mais de outras 48H estava o processo todo pronto a ser entregue. E dia 10 de Agosto estávamos no Estádio José Alvalade a entregar o requerimento e as respetivas assinaturas. O objetivo era claro, dar a voz aos Sócios e caso fosse essa a vontade dos Sócios em Assembleia, fazer-se o imediato levantamento da sanção, e assim possibilitar, sem mais, o livre acesso às Eleições a todos os candidatos que assim o desejassem, e consequentemente possibilitar a livre escolha dos Sócios em elegerem os seus representantes.

O silêncio que se faz ouvir desde então de Jaime Marta Soares, o que nos diz?

Em minha opinião, diz-me que este é um processo em que se fala de “alma máter” porque são palavras bonitas, mas na realidade desprezam essa alma do Sporting que são os Sócios, diz-me que quem fala em “estatutos e regulamentos” está a atirar areia para os olhos, pois na verdade estão a borrifar-se para os mesmos, e o que querem mesmo é andar por Tribunas de rivais que desrespeitam os nossos que faleceram às suas mãos, sem uma única palavra de condenação.

Nada que já não suspeitássemos, pois em minha opinião, vamos de atropelo em atropelo, de mentira em mentira até uma situação limite, e é por isso que esta é uma crónica de um desrespeito anunciado.

Um abraço de Leão

Nuno Sousa – Sócio 9.575-0 desde Agosto de 1981